Questão G05 da 2ª fase da FUVEST 2013
Considere as afirmações I, II e III.
I: Há dois elementos fundamentais na agricultura que a diferem da indústria: o primeiro deles é o tempo da natureza.
II: Em 2009, o Brasil alcançou o primeiro lugar no ranking mundial de consumo de agrotóxicos.
III: Ressalte-se que 92% da receita líquida gerada pelas indústrias fabricantes de agrotóxicos em 2010 ficaram com apenas seis grandes empresas de capital estrangeiro.
Bombardi, 2012. Disponível em www.mcpbrasil.org.br. Acessado em outubro de 2012. Adaptado.
a) Analise a afirmação II, considerando a afirmação I.
b) Qual o processo a que se refere a afirmação III? Explique.
c) Indique dois impactos socioambientais decorrentes do uso de agrotóxicos.
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Resolução comentada
a) A afirmação I diz que a agricultura depende do tempo da natureza: ciclos de plantio, crescimento e colheita, clima, umidade, pragas e doenças não podem ser acelerados como uma linha de produção industrial. Por isso, o produtor sofre perdas por pragas, ervas daninhas e fungos, e tenta reduzir esse risco e encurtar o ciclo. Os agrotóxicos (herbicidas, inseticidas, fungicidas) entram como forma de controlar a natureza, proteger a lavoura e garantir produtividade e previsibilidade.
O Brasil se tornou o maior consumidor mundial em 2009 porque tem grande área cultivada, clima tropical (que favorece pragas o ano todo, com mais de uma safra) e um modelo agrícola de monocultivos extensivos voltados à exportação (soja, milho, cana, algodão). Esses monocultivos são mais vulneráveis a pragas e dependem muito de insumos químicos. O uso intenso de agrotóxicos é, portanto, uma tentativa de submeter o tempo da natureza à lógica de produção e lucro do agronegócio.
O alto consumo de agrotóxicos no Brasil reflete a tentativa de controlar e reduzir os riscos do tempo da natureza na agricultura, em um modelo de monocultivos extensivos de exportação.
b) A afirmação III se refere ao processo de concentração e centralização de capital (oligopolização), com controle do mercado de insumos agrícolas por poucas empresas transnacionais. Seis grandes empresas estrangeiras ficam com 92% da receita do setor, o que indica um oligopólio, resultado de fusões, aquisições e da globalização da economia.
Isso gera dependência tecnológica e financeira dos agricultores, que compram sementes, adubos e agrotóxicos dessas empresas, e remessa de lucros ao exterior. Há também grande poder dessas empresas para definir preços, pacotes tecnológicos e até influenciar a legislação. Esse processo liga a indústria (capital internacional) à agricultura, subordinando o campo ao capital industrial e financeiro.
Concentração de capital e oligopólio das transnacionais no mercado de agrotóxicos, com subordinação da agricultura ao capital industrial estrangeiro.
c) Dois impactos:
- Contaminação ambiental: os agrotóxicos poluem solo, rios e lençóis freáticos por escoamento e infiltração, matam insetos benéficos como as abelhas, reduzem a biodiversidade e podem gerar pragas resistentes.
- Danos à saúde: intoxicação de trabalhadores rurais (sem equipamento adequado ou informação) e de moradores próximos, além de resíduos nos alimentos e na água consumidos pela população, com risco de câncer, problemas neurológicos e hormonais.
Contaminação do solo e da água, com perda de biodiversidade, e intoxicação de trabalhadores e consumidores.
Assuntos: agrotóxicos, agronegócio, concentração de capital.
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