Questão 6 (2º dia) da 2ª fase da FUVEST 2012

Considerando-se a atual divisão administrativa do Brasil e sobrepondo-se a ela representações esquemáticas da gênese do território brasileiro, entre os séculos XVI e XIX,
a) relacione os focos econômicos em ascensão (coluna I) com os novos centros econômicos e suas respectivas zonas de atração (coluna II);
b) analise os principais avanços territoriais (coluna III).
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Resolução comentada
a) Cada foco econômico em ascensão (coluna I) gerou um centro dinâmico, com uma zona de atração em volta dele (coluna II).
- Século XVI: o foco é a cana-de-açúcar no litoral nordestino (Pernambuco e Bahia). O centro econômico se forma na zona da mata, com os engenhos, e atrai para si a pecuária, que fornecia animais de tração, carne e couro. A zona de atração é o litoral nordestino e seu entorno imediato, com o sertão como área de apoio.
- Séculos XVII e XVIII: o foco é a mineração (ouro e diamantes) no interior do Sudeste, em Minas Gerais, e também em Goiás e Mato Grosso. O centro se desloca para o Sudeste. Sua zona de atração abrange Minas Gerais, o Rio de Janeiro (porto de escoamento, capital a partir de 1763) e São Paulo, além de áreas de abastecimento (gado do Sul e do Nordeste, tropeirismo).
- Século XIX: o foco é o café, no Vale do Paraíba e depois no oeste paulista. O centro econômico passa a ser São Paulo e o Sudeste, com a zona de atração em São Paulo, Rio de Janeiro, sul de Minas e Espírito Santo. A área recebeu ferrovias, o porto de Santos e imigrantes, o que aprofundou a concentração do poder econômico no Sudeste.
Ou seja, o eixo econômico migrou do Nordeste para o Sudeste e se consolidou ali.
Resposta: cana no litoral nordestino (XVI), mineração no Sudeste interior (XVII-XVIII) e café em São Paulo e arredores (XIX), cada um formando um centro econômico e uma zona de atração regional, com o eixo se deslocando do Nordeste para o Sudeste.
b) Os avanços territoriais (coluna III) acompanham as atividades econômicas e ultrapassam a linha do Tratado de Tordesilhas.
- Século XVI: do litoral nordestino para o interior, pela expansão da pecuária, que subiu o rio São Francisco e ocupou o sertão, afastada da cana.
- Séculos XVII e XVIII: há várias frentes. Os bandeirantes paulistas, que buscavam indígenas para escravizar e metais, avançaram do Sudeste e do Sul para o interior (Minas, Goiás, Mato Grosso). Na Amazônia, as drogas do sertão e as missões religiosas levaram a ocupação para oeste, pelos rios, e os fortes consolidaram a posse. No Sul, o gado e o tropeirismo avançaram sobre a região. O Tratado de Madri (1750) legitimou essa expansão pelo princípio do uti possidetis.
- Século XIX: a expansão para oeste na Amazônia, com o ciclo da borracha, atraiu migrantes nordestinos, e a ocupação para o sudoeste do Sul se deu com a colonização por imigrantes europeus (alemães e italianos) e a pecuária.
Resposta: a ocupação partiu do litoral para o interior, guiada por atividades econômicas (pecuária, mineração, bandeirismo, drogas do sertão, borracha, imigração), e formou o território atual, indo além de Tordesilhas.
Assuntos: formação territorial do brasil, ciclos econômicos, expansão territorial.
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