Questão 4 (2º dia) da 2ª fase da FUVEST 2012

2º dia · História

Dois gráficos de linha lado a lado sob o título "BALANÇAS COMERCIAIS DA FRANÇA E INGLATERRA NO SÉCULO XVIII (EM MILHÕES DE LIBRAS)". À esquerda, "Exportações e importações na França de 1715 - 1780", mostrando a evolução com anos no eixo horizontal de 1720 a 1780 e valores de 0 a 400 milhões de libras no vertical, com áreas hachuradas entre as curvas e anotação de déficit próximo a 1770. À direita, "Exportações e importações na Inglaterra de 1700 - 1785", no mesmo intervalo de valores e anos de 1700 a 1785, apresentando exportações consistentemente superiores às importações em grande parte do período.

Considerando os dois gráficos acima,

a) defina e explique o significado geral de uma balança comercial “favorável” ou “desfavorável” para um determinado país;

b) compare os papéis político-econômicos da França e da Inglaterra na competição internacional do século XVIII, bem como a importância desses países para as regiões coloniais americanas da época.

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Resolução comentada

a) A balança comercial é o saldo entre o valor das exportações e o das importações de um país em certo período. Ela é favorável (superávit) quando as exportações superam as importações: entra mais riqueza, em ouro, prata ou moeda, do que sai. É desfavorável (déficit) quando as importações superam as exportações, e o país perde metais e divisas ou se endivida.

No século XVIII, essa ideia estava no centro do mercantilismo. Esse pensamento via o saldo favorável como sinal de riqueza e poder do Estado, que por isso protegia a produção nacional, taxava produtos estrangeiros e buscava mercados coloniais cativos.

Uma balança favorável significa exportar mais do que importar, acumulando riqueza; uma desfavorável significa importar mais do que exportar, drenando riqueza do país.

b) Os gráficos mostram a Inglaterra com exportações acima das importações durante quase todo o período, e com forte crescimento até cerca de 1770. A França tem saldo positivo na maior parte do tempo, mas oscila bastante e apresenta déficits na década de 1770, ligados aos gastos com guerras e à crise financeira do Antigo Regime.

Na competição internacional, a Inglaterra se firmou como potência marítima e comercial. Sua política mercantilista incluía os Atos de Navegação, e a economia ganhava dinamismo com a expansão manufatureira que antecedeu a Revolução Industrial. Após a Guerra dos Sete Anos (1756-1763), ela passou a ocupar a posição de maior potência colonial. A França era uma rival importante, mas tinha uma economia mais instável, com um Estado absolutista endividado, e perdeu colônias, como o Canadá, para os ingleses.

Para as colônias americanas, as duas metrópoles eram fornecedoras de manufaturas e escoadouros de produtos tropicais. As Treze Colônias inglesas e as Antilhas, tanto inglesas quanto francesas (como o Haiti, grande produtor de açúcar), integravam o sistema do pacto colonial. A Inglaterra também tinha peso indireto sobre a América portuguesa e espanhola, pois suprimia manufaturas e financiava Portugal por meio de tratados como o de Methuen, e ficava com parte do ouro brasileiro.

A Inglaterra era a potência comercial e colonial em ascensão, com superávit constante; a França era uma rival com saldo instável e déficits no fim do período. Ambas funcionavam como metrópoles, ou centros comerciais, para as colônias americanas, que forneciam produtos tropicais e consumiam manufaturas.

Assuntos: mercantilismo e balança comercial, rivalidade franco-inglesa no século xviii, pacto colonial na américa.

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