Questão 26 do ENEM 2024

1º dia · Linguagens, Códigos

Por trás do universo “masculino” das lutas, é cada vez mais notório o aumento da participação de mulheres nessa prática corporal. Algumas situações reforçam esse fenômeno de ocupação em ambientes de lutas: a inclusão de mulheres em combates de artes marciais mistas, ou MMA, a transmissão televisiva de lutas de mulheres e a criação de horários específicos para elas em academias que ensinam lutas. Uma pesquisa científica mostrou menor participação e mobilização das meninas em comparação com os meninos nas aulas de Educação Física. Entre as justificativas discentes para essa situação está o fato de que eles relacionam a luta como uma expressão corporal masculina e, por consequência, não adequada aos interesses femininos. Dessa forma, o ensino de lutas nas aulas de Educação Física é atravessado por tensões relacionadas às questões de gênero e sexualidade, o que, por sua vez, pode favorecer a sua exclusão do conteúdo próprio da disciplina.

SO, M. R.; MARTINS, M. Z.; BETTI, M. As relações das meninas com os saberes das lutas nas aulas de Educação Física. Motrivivência, n. 56, dez. 2018 (adaptado).

Segundo o texto, apesar do aumento da participação de mulheres em lutas, a realidade na escola ainda é diferente em razão do(a)

  1. A
    esportivização desse conteúdo.
  2. B
    masculinização dessa modalidade.
  3. C
    enfoque desses eventos pela mídia.
  4. D
    trato pedagógico dessa manifestação.
  5. E
    marginalização desse tema pela Educação Física.
Resolução comentada

O texto afirma que, fora da escola, cresce a presença feminina nas lutas (MMA, transmissões de TV, horários exclusivos em academias). Já nas aulas de Educação Física, as meninas participam menos que os meninos.

A justificativa apontada pelos alunos é que eles veem a luta como "expressão corporal masculina" e, por isso, "não adequada aos interesses femininos". Ou seja, a luta é vista como algo de homem, o que é uma masculinização dessa prática corporal.

O texto também diz que essa tensão de gênero e sexualidade pode favorecer a exclusão das lutas do conteúdo da disciplina. Essa exclusão é uma consequência possível, não a causa da diferença entre meninos e meninas.

As demais alternativas não aparecem como causa no texto: não se fala em esportivização, a mídia é citada como exemplo de avanço, e nada se diz sobre o modo como o professor ensina.

A causa da realidade escolar diferente, segundo o texto, é a associação das lutas ao universo masculino.

Alternativa B.

Pegadinha: A alternativa E engana porque o texto menciona a exclusão das lutas do conteúdo da disciplina, mas isso é consequência, e não a razão da diferença.

Por que as outras alternativas estão erradas

  • AO texto não trata da transformação das lutas em esporte de rendimento como causa.
  • CA mídia aparece como exemplo do aumento da participação feminina, não como obstáculo na escola.
  • DO texto não critica a metodologia ou o trato pedagógico do professor.
  • EA marginalização do tema é apontada como possível consequência das tensões de gênero, não como a causa.

Assuntos: interpretação de texto, gênero e lutas, educação física escolar.

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