Questão 52 do ENEM 2023
TEXTO I
Como presença consciente no mundo não posso escapar à responsabilidade ética no meu mover-me no mundo. Se sou puro produto da determinação genética ou cultural ou de classe, sou irresponsável pelo que faço no meu mover-me no mundo e, se careço de responsabilidade, não posso falar em ética.
FREIRE, P. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.
TEXTO II
Paulo Freire construiu uma pedagogia da esperança. Na sua concepção, a história não é algo pronto e acabado. As estruturas de opressão e as desigualdades, apesar de serem naturalizadas, são sócio e historicamente construídas. Daí a importância de os educandos tomarem consciência da sua realidade para, assim, transformá-la.
DEMARCHI, J. L. Paulo Freire. Disponível em: https://diplomatique.org.br. Acesso em: 6 out. 2021 (adaptado).
Com base no conceito de ética pedagógica presente nos textos, os educandos tornam-se responsáveis pela
- Aparticipação sociopolítica.
- Bdefinição estético-cultural.
- Ccompetição econômica local.
- Dmanutenção do sistema escolar.
- Ecapacitação de mobilidade individual.
Resolução comentada
Os dois textos giram em torno da ideia de que o sujeito não é um produto passivo do meio.
No Texto I, Freire diz que, se fôssemos "puro produto" da genética, da cultura ou da classe, não teríamos responsabilidade sobre o que fazemos. Sem responsabilidade não há ética. Logo, a ética pedagógica pressupõe que a pessoa é sujeito ativo, capaz de escolher e agir no mundo.
No Texto II, o autor explica que a história "não é algo pronto e acabado" e que as opressões e desigualdades, embora pareçam naturais, foram construídas por pessoas ao longo do tempo. Por isso, o educando deve tomar consciência da realidade "para, assim, transformá-la".
Juntando as duas ideias: se o educando é responsável e a realidade pode ser mudada, sua responsabilidade é intervir nela, isto é, agir sobre a sociedade e sua organização política e social. Isso é participação sociopolítica.
As demais alternativas tratam de temas que os textos não abordam: estética, competição, manutenção da escola ou ascensão individual. Nenhuma delas fala de transformação social coletiva.
Alternativa A.
Por que as outras alternativas estão erradas
- BOs textos não tratam de definição estética ou cultural, e sim de consciência e transformação da realidade social.
- CA ideia de competição econômica local não aparece; Freire propõe conscientização e transformação, não disputa.
- DManter o sistema escolar contraria a proposta de transformar estruturas naturalizadas de opressão.
- EFoca no ganho individual, enquanto os textos falam de responsabilidade e transformação coletiva da realidade.
Assuntos: Paulo Freire, ética e educação, cidadania.
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