Redação nota 1000 do Enem 2015: Lucas Domingos Ribeiro
“A história da humanidade é a história da luta...” das mulheres. Karl Marx, filósofo e sociólogo alemão, baseou seu pensamento na extinção gradual das classes sociais e das diferenças presentes na sociedade moderna. Analogamente, percebe-se, no âmbito das relações sociais humanas, a presença de um grupo que não foge à luta por seus direitos: a população feminina. Por viverem em um país patriarcal — herança herdada dos tempos do Império — as mulheres brasileiras permanecem à deriva da sociedade. Levando isso em consideração, recebem maus tratos e são menosprezadas por homens e chefes de famílias.
Na ótica aristotélica, a mulher é concebida como a encarnação de um homem ruim. Este fato talvez justifique o alto índice de violência contra o espírito feminino em voga no Brasil, subjugado por homens e até mesmo mulheres que desrespeitam a igualdade do gênero. Segundo o Mapa da Violência de 2012, milhares de mulheres foram assassinadas, como também muitas delas sofreram com os mais diversos tipos de agressão, incluindo agressões de caráter físico, com predomínio de 51,68% dos casos.
Entretanto, existem movimentos e organizações que têm como compromisso a redução dos descasos com a figura da mulher, como a campanha contra o femincídio, que une cidadãs em prol do combate ao patriarcalismo que impera na sociedade brasileira. Infelizmente, nem toda comunidade feminina se junta e segue esses princípios. Geralmente, as mulheres aceitam a dominação e, no viés de Max Weber, só há dominação se houver aceitação.
Não se deve esquecer que as atitudes femininas são sutis, levando-as a questionarem o poderio de uma denúncia a uma delegacia de polícia mais próxima. Portanto, com o intuito de atenuar os maus tratos e a submissão da mulher na contemporaneidade, cabe ao Estado a fiscalização da Lei Maria da Penha e também a aplicação da mesma com maior rigor. Além disso, é papel da sociedade a criação de fóruns de discussão sobre os direitos da mulher, inspirados em grandes figuras adeptas à valorização feminina, como Frida Kahlo e Simone de Beavouir. Cabe à mídia a divulgação de casos de violência doméstica, via televisão e internet, que promoverão a conscientização da sociedade a respeito do quanto a mulher tem valor.
Texto como o INEP publicou, com os desvios do participante.
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Comentário da banca
Pelas estruturas linguísticas, pela seleção lexical e pela escolha de registro, o participante demonstra que tem excelente domínio da modalidade escrita formal da Língua Portuguesa. Não há erros gramaticais e o único desvio das convenções da escrita em Língua Portuguesa está na escrita incorreta de “feminicídio”, no terceiro parágrafo.
O participante desenvolve o tema proposto no enunciado da prova mediante argumentação consistente, baseada em repertório sociocultural produtivo, apresentando ideias e informações para além das compiladas pelos textos motivadores, haja vista a referência a Karl Marx, Aristóteles, Max Weber, Frida Kahlo e Simone de Beauvoir.
Também apresenta excelente domínio do texto dissertativo-argumentativo, com introdução, desenvolvimento e conclusão. A redação estrutura-se em quatro parágrafos, bem construídos e bem articulados entre si. O tema é desenvolvido de modo consistente e autoral, com progressão fluente e articulada ao ponto de vista defendido: a persistência da violência contra a mulher decorre da herança patriarcal predominante na história do Brasil.
Em defesa de seu ponto de vista, o participante apresenta informações relacionadas à situação da mulher na sociedade. A coerência no desenvolvimento do tema, o encadeamento entre as ideias, a consistência da argumentação e a conclusão, elaborada com uma proposta pertinente ao tema, indicam competência em selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações, fatos e argumentos em defesa de um ponto de vista.
Além da continuidade temática, o participante articula, sem inadequações, repertório diversificado de recursos coesivos, que concatenam os argumentos, as partes do texto e as informações apresentadas, por meio de termos como os seguintes: “Analogamente” (1° parágrafo); “Este fato”, “como também” (2° parágrafo); “Entretanto” (3° parágrafo); “Portanto”, “também”, “Além disso” (4° parágrafo).
Por meio de excelente proposta de intervenção que respeita os direitos humanos, o participante considera que o Estado deve aplicar e fiscalizar a Lei Maria da Penha, punindo com rigor e efetividade os agressores; a sociedade deve criar fóruns de discussão sobre os direitos das mulheres, e os meios midiáticos devem contribuir para a conscientização da sociedade.
Fonte: INEP, Redação no Enem 2016: cartilha do participante, página 59 do PDF, sob licença CC BY-NC (uso não comercial). Texto transcrito do PDF, com a formatação do site; o original está em “Ver como o INEP publicou”.