Questão 36 do ENEM 2013

1º dia · Ciências Humanas

Até hoje admitia-se que nosso conhecimento se devia regular pelos objetos; porém, todas as tentativas para descobrir, mediante conceitos, algo que ampliasse nosso conhecimento, malogravam-se com esse pressuposto. Tentemos, pois, uma vez, experimentar se não se resolverão melhor as tarefas da metafísica, admitindo que os objetos se deveriam regular pelo nosso conhecimento.

KANT, I. Crítica da razão pura. Lisboa: Calouste-Gulbenkian, 1994 (adaptado).

O trecho em questão é uma referência ao que ficou conhecido como revolução copernicana na filosofia. Nele, confrontam-se duas posições filosóficas que

  1. A
    assumem pontos de vista opostos acerca da natureza do conhecimento.
  2. B
    defendem que o conhecimento é impossível, restando-nos somente o ceticismo.
  3. C
    revelam a relação de interdependência entre os dados da experiência e a reflexão filosófica.
  4. D
    apostam, no que diz respeito às tarefas da filosofia, na primazia das ideias em relação aos objetos.
  5. E
    refutam-se mutuamente quanto à natureza do nosso conhecimento e são ambas recusadas por Kant.
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Resolução comentada

Kant compara sua proposta à revolução de Copérnico: assim como Copérnico inverteu a relação entre Sol e Terra, Kant inverte a relação entre sujeito e objeto no conhecimento.

O texto apresenta duas posições:

  1. Posição tradicional ("até hoje admitia-se"): o conhecimento deve se regular pelos objetos. O sujeito apenas se adapta ao objeto, que é o centro. É a visão típica do empirismo e do realismo clássico.
  2. Posição de Kant ("tentemos... experimentar"): os objetos é que se regulam pelo nosso conhecimento. O sujeito, com suas formas de conhecer, passa a ser o centro, e conhecemos os objetos tal como eles se apresentam a nós.

As duas posições respondem à mesma pergunta, sobre como se dá o conhecimento e o que o determina, mas com respostas invertidas. Portanto, são pontos de vista opostos sobre a natureza do conhecimento.

Conferindo as demais: Kant não defende o ceticismo, pois tenta ampliar o conhecimento. Ele também não recusa as duas posições, pois adota a segunda. E não se trata de primazia das ideias sobre os objetos em ambas, já que só a proposta kantiana coloca o sujeito à frente.

Alternativa A.

Por que as outras alternativas estão erradas

  • BKant busca ampliar o conhecimento e fundamentá-lo, não defende que ele seja impossível nem o ceticismo.
  • CO texto mostra posições opostas, não uma interdependência entre experiência e reflexão.
  • DSó a posição kantiana dá primazia ao sujeito; a posição tradicional faz o conhecimento depender dos objetos.
  • EKant não recusa ambas: ele adota a segunda posição, a de que os objetos se regulam pelo conhecimento.

Assuntos: Kant, revolução copernicana, teoria do conhecimento.

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