PRÁTICA COM QUESTÕES OFICIAIS
Questão 48 do ENEM 2007
Um poeta habitante da cidade de Poços de Caldas – MG assim externou o que estava acontecendo em sua cidade:
Hoje, o planalto de Poços de Caldas não
serve mais. Minério acabou.
Só mancha, “nunclemais”.
Mas estão “tapando os buracos”, trazendo para
cá “Torta II”1,
aquele lixo do vizinho que você não gostaria
de ver jogado no quintal da sua casa.
Sentimentos mil: do povo, do poeta e do Brasil.
Hugo Pontes. In: M.E.M. Helene. A radioatividade e o lixo nuclear. São Paulo: Scipione, 2002, p. 4.
1Torta II – lixo radioativo de aspecto pastoso.
A indignação que o poeta expressa no verso “Sentimentos mil: do povo, do poeta e do Brasil” está relacionada com
- Aa extinção do minério decorrente das medidas adotadas pela metrópole portuguesa para explorar as riquezas minerais, especialmente em Minas Gerais.
- Ba decisão tomada pelo governo brasileiro de receber o lixo tóxico oriundo de países do Cone Sul, o que caracteriza o chamado comércio internacional do lixo.
- Ca atitude de moradores que residem em casas próximas umas das outras, quando um deles joga lixo no quintal do vizinho.
- Das chamadas operações tapa-buracos, desencadeadas com o objetivo de resolver problemas de manutenção das estradas que ligam as cidades mineiras.
- Eos problemas ambientais que podem ser causados quando se escolhe um local para enterrar ou depositar lixo tóxico.
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Resolução comentada
O poema fala de Poços de Caldas, cidade cujo planalto já foi área de mineração. Com o fim do minério, restaram apenas "manchas" e buracos, que agora estão sendo "tapados" com a "Torta II", um lixo radioativo de aspecto pastoso.
O poeta compara essa situação a ter o lixo do vizinho jogado no quintal de casa: algo que ninguém quer receber. A indignação ("Sentimentos mil: do povo, do poeta e do Brasil") vem, portanto, da escolha de um local habitado para depositar rejeito radioativo, com risco de contaminação do solo, da água e das pessoas.
Agora, as alternativas:
- A trata a extinção do minério como efeito da exploração colonial portuguesa. O poema não menciona isso, e a mineração em Poços de Caldas é uma atividade recente.
- B afirma que o lixo vem de países do Cone Sul. O texto diz apenas "lixo do vizinho", que é uma comparação, não uma referência a países.
- C toma a metáfora do quintal ao pé da letra e a transforma numa briga entre moradores.
- D entende "tapando os buracos" como conserto de estradas, ignorando que os buracos são as cavas da mineração.
- E é a que corresponde ao poema: o problema ambiental de enterrar ou depositar lixo tóxico em determinado lugar.
Alternativa E.
Pegadinha: A alternativa C engana quem lê literalmente a imagem do lixo no quintal do vizinho; D engana por interpretar "tapando os buracos" fora do contexto da mineração.
Por que as outras alternativas estão erradas
- Aatribui o fim do minério à exploração colonial portuguesa, assunto que o poema não aborda.
- Bentende "vizinho" como países do Cone Sul e inventa uma decisão do governo sobre comércio internacional de lixo.
- Ctoma a comparação do quintal ao pé da letra, como briga entre moradores.
- Dinterpreta "tapando os buracos" como conserto de estradas, quando são as cavas da mineração.
Assunto: Sociedade, natureza e impactos ambientais.
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