Questão 27 do ENEM PPL 2018

1º dia · Linguagens, Códigos

Fotografia em preto e branco da instalação Cry me a river, de Lina Kim. Em uma sala vazia com paredes brancas e piso escuro, vê-se uma pia ao fundo de onde saem camisas de força brancas que se estendem pelo chão até recipientes e baldes de metal espalhados pelo cômodo; uma lâmpada nua pende acesa do teto.

KIM, L. Cry me a river. Instalação com camisas de força, pia, baldes, torneira, espelho, lâmpada, 2001.

CANTON, K. As nuances da cidade. Bravo!, n. 54, mar. 2002.

A imagem reproduz a instalação da paulista Lina Kim, apresentada na 25ª Bienal de São Paulo em março de 2002. Nessa obra, a artista se utiliza de elementos dispostos num determinado ambiente para propor que o observador reconheça o(a)

  1. A
    recusa à representação dos problemas sociais.
  2. B
    questionamento do que seja razão.
  3. C
    esgotamento das estéticas recentes.
  4. D
    processo de racionalização inerente à arte contemporânea.
  5. E
    ruptura estética com movimentos passados.
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Resolução comentada

A obra combina objetos de sentidos opostos. A camisa de força é o símbolo da loucura e da contenção de quem é tido como "sem razão". A pia, a torneira, os baldes e a água (o título "Cry me a river", "chore-me um rio") remetem a limpeza, choro e fluxo. A sala vazia, com a lâmpada nua, lembra uma cela ou um espaço de internação.

Ao transformar as camisas de força em um "rio" que escorre da pia, a artista faz o observador pensar em quem decide o que é razão e o que é loucura, e em como a sociedade trata quem foge desse padrão. Isso é um questionamento do conceito de razão.

Conferindo as demais:

  1. Não há recusa de representar problemas sociais: a obra trata justamente de exclusão e confinamento.
  2. Nada na instalação fala de esgotamento de estéticas ou de ruptura com movimentos passados, pois o foco é o conteúdo simbólico, não a história da arte.
  3. "Racionalização" seria o contrário do que se vê: a obra põe a razão em dúvida, não a afirma.

Alternativa B.

Por que as outras alternativas estão erradas

  • Aa obra representa, sim, um problema social: o confinamento e a exclusão dos ditos loucos.
  • Cnada na instalação trata de esgotamento de estéticas recentes; o foco é o tema, não a história da arte.
  • Da obra questiona a razão, não a afirma como processo inerente à arte.
  • Ea ruptura com movimentos passados não é o que a imagem propõe ao observador.

Assuntos: arte contemporânea, instalação, interpretação de imagem.

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