Questão 60 do ENEM PPL 2017

1º dia · Ciências Humanas

O garfo muito grande, com dois dentes, que era usado para servir as carnes aos convidados, é antigo, mas não o garfo individual. Este data mais ou menos do século XVI e difundiu-se a partir de Veneza e da Itália em geral, mas com lentidão. O uso só se generalizaria por volta de 1750.

BRAUDEL, F. Civilização material, economia e capitalismo: séculos XV-XVIII; as estruturas do cotidiano. São Paulo: Martins Fontes, 1977 (adaptado).

No processo de transição para a modernidade, o uso do objeto descrito relaciona-se à

  1. A
    construção de hábitos sociais.
  2. B
    introdução de medidas sanitárias.
  3. C
    ampliação das refeições familiares.
  4. D
    valorização da cultura renascentista.
  5. E
    incorporação do comportamento laico.
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Resolução comentada

O texto de Braudel trata do garfo individual, que surgiu por volta do século XVI na Itália e só se generalizou por volta de 1750. Ele mostra um objeto do cotidiano que se difunde devagar e muda a forma de comer à mesa.

Esse é um tema da história das mentalidades e da vida material. Nela, hábitos como o uso de talheres, as regras à mesa e o modo de se portar em público fazem parte do que Norbert Elias chamou de "processo civilizador". Na transição para a modernidade, o comportamento das pessoas passou a ser cada vez mais regulado por normas de etiqueta e de civilidade.

Passos para responder:

  1. O texto fala de um objeto de uso pessoal, o garfo individual, em oposição ao garfo grande de servir.
  2. Ele destaca a difusão lenta de um costume, do século XVI até 1750.
  3. Logo, o garfo ilustra a construção gradual de novos hábitos sociais, e não higiene, religião ou arte.

O texto não menciona doenças, refeições em família, arte renascentista nem religião. Só a ideia de hábito, de costume que se difunde e se torna regra social, aparece nele.

Alternativa A.

Por que as outras alternativas estão erradas

  • BO texto não menciona higiene, doenças nem medidas sanitárias; o foco é o costume de usar o garfo.
  • CNão há referência a refeições familiares; fala-se de convidados e de difusão do uso individual.
  • DA origem italiana do garfo não o liga ao Renascimento cultural (arte, humanismo); o texto trata de costume cotidiano.
  • EO laicismo (afastamento da religião) não tem relação com o garfo; o texto não fala de religião.

Assuntos: história da vida cotidiana, hábitos e costumes na modernidade.

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