Questão 26 do ENEM PPL 2017
Pra onde vai essa estrada?
— Sô Augusto, pra onde vai essa estrada?
O senhor Augusto:
— Eu moro aqui há 30 anos, ela nunca foi pra parte nenhuma, não.
— Sô Augusto, eu estou dizendo se a gente for andando aonde a gente vai?
O senhor Augusto:
— Vai sair até nas Oropas, se o mar der vau.
Vocabulário
Vau: Lugar do rio ou outra porção de água onde esta é pouco funda e, por isso, pode ser transposta a pé ou a cavalo.
MAGALHÃES, L. L. A.; MACHADO, R. H. A. (Org.). Perdizes, suas histórias, sua gente, seu folclore. Perdizes: Prefeitura Municipal, 2005.
As anedotas são narrativas, reais ou inventadas, estruturadas com a finalidade de provocar o riso. O recurso expressivo que configura esse texto como uma anedota é o(a)
- Auso repetitivo da negação.
- Bgrafia do termo “Oropas”.
- Cambiguidade do verbo “ir”.
- Dironia das duas perguntas.
- Eemprego de palavras coloquiais.
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Resolução comentada
Numa anedota, o riso nasce de um mal-entendido ou de uma quebra de expectativa. Aqui, o mal-entendido está no verbo "ir".
O visitante pergunta "pra onde vai essa estrada?", querendo saber o destino: aonde se chega se a gente for por ela. Sô Augusto entende a frase ao pé da letra, como se a estrada pudesse andar sozinha. Por isso responde que, em 30 anos morando ali, ela "nunca foi pra parte nenhuma".
O visitante reformula: "se a gente for andando aonde a gente vai?". Só então Augusto responde à pergunta com exagero bem-humorado: "vai sair até nas Oropas, se o mar der vau", isto é, na Europa, desde que se possa atravessar o mar a pé.
O humor vem, portanto, de duas leituras possíveis do verbo "ir":
- sentido figurado, de direção ou destino da estrada (visitante);
- sentido literal, de deslocamento (Augusto).
A ambiguidade do verbo "ir" é o recurso que configura a anedota.
Alternativa C.
Por que as outras alternativas estão erradas
- AA negação aparece só uma vez ("nunca foi"); não é ela que provoca o riso.
- B"Oropas" reflete a fala popular, mas o humor não depende da grafia.
- DAs perguntas são sinceras, sem ironia; a graça está na interpretação literal de Augusto.
- EHá coloquialismo ("sô", "pra"), mas ele só marca a linguagem e não gera o efeito cômico.
Assuntos: ambiguidade, anedota, polissemia do verbo ir.
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