Questão 97 do ENEM PPL 2016
Escrever
A estudante perguntou como era essa coisa de escrever. Eu fiz o gênero fofo. Moleza, disse.
Primeiro evite esses coloquialismos de “fofo” e “moleza”, passe longe das gírias ainda não dicionarizadas e de tudo mais que soe mais falado do que escrito. Isto aqui não é rádio FM. De vez em quando, aplique uma gíria como se fosse um piparote de leve no cangote do texto, mas, em geral, evite. Fuja dessas rimas bobinhas, desses motes sonoros. O leitor pode se achar diante de um rapper frustrado e dar cambalhotas. Mas, atenção, se soar muito estranho, reescreva.
Quando quiser aplicar um “mas”, tome fôlego, ligue para o 0800 do Instituto Fernando Pessoa, peça autorização ao sábio de plantão, e, por favor, volte atrás. É um cacoete facilitador. Dele deve ter vindo a expressão “cheio de mas-mas”, ou seja, uma pessoa cheia de “não é bem assim”, uma chata que usa o truque para afirmar e depois, como se fosse estilo, obtemperar.
SANTOS, J. F. O Globo, 10 jan. 2011 (adaptado).
A língua varia em função de diferentes fatores. Um deles é a situação em que se dá a comunicação. Na crônica, ao ser interrogado sobre a arte de escrever, o autor utiliza, em meio à linguagem escrita padrão, condizente com o contexto,
- Adefinições teóricas, para permitir que seus conselhos sejam úteis aos futuros jornalistas.
- Bgírias não dicionarizadas, para imitar a linguagem de jovens de baixa escolaridade.
- Cpalavras de uso coloquial, para estabelecer uma interação satisfatória com a interlocutora.
- Dtermos da linguagem jornalística, para causar boa impressão na jovem entrevistadora.
- Evocabulário técnico, para ampliar o repertório linguístico dos jovens leitores do jornal.
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Resolução comentada
A questão pede a função de um recurso de linguagem: em meio à norma-padrão, o autor usa marcas de oralidade. Pense no contexto: uma estudante pergunta "como era essa coisa de escrever" e ele responde, no trecho em itálico, "Eu fiz o gênero fofo. Moleza, disse."
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Identifique o trecho: "fofo" e "moleza" são palavras coloquiais, típicas da fala do dia a dia, e não de textos formais.
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Identifique a situação: é uma conversa informal e descontraída entre o cronista e uma jovem estudante. Ele adapta a linguagem a esse interlocutor, o que é adequação à situação comunicativa (variação situacional ou de registro).
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Veja a ironia: logo depois, o próprio texto aconselha evitar "fofo" e "moleza". Isso mostra que o coloquialismo foi usado de propósito na cena da conversa, e o conselho vem em seguida.
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Confira as alternativas: não há definições teóricas, jargão jornalístico nem vocabulário técnico. As gírias citadas não imitam jovens de baixa escolaridade, pois o objetivo é a interação com a estudante, que não é entrevistadora.
Logo, as palavras coloquiais servem para criar proximidade e uma interação adequada com a interlocutora.
Alternativa C.
Por que as outras alternativas estão erradas
- AO trecho não traz definições teóricas; traz palavras coloquiais e conselhos de estilo.
- BAs gírias não imitam jovens de baixa escolaridade; adaptam a fala à conversa com a estudante.
- D"Fofo" e "moleza" não são termos jornalísticos, e a jovem é estudante, não entrevistadora.
- ENão há vocabulário técnico; as palavras são do registro informal.
Assuntos: variação linguística, registro coloquial, adequação à situação comunicativa.
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