Questão 35 do ENEM PPL 2016
Enfermo a 14 de novembro, na segunda-feira o velho Lima voltou ao trabalho, ignorando que no entretempo caíra o regime. Sentou-se e viu que tinham tirado da parede a velha litografia representando D. Pedro de Alcântara. Como na ocasião passasse um contínuo, perguntou-lhe:
— Por que tiraram da parede o retrato de Sua Majestade?
O contínuo respondeu, num tom lentamente desdenhoso:
— Ora, cidadão, que fazia ali a figura do Pedro Banana?
— Pedro Banana! — repetiu raivoso o velho Lima.
E, sentando-se, pensou com tristeza:
— Não dou três anos para que isso seja uma República!
AZEVEDO, A. Vidas alheias. Porto Alegre: s.e, 1901 (adaptado).
A crônica de Artur Azevedo, retratando os dias imediatos à instauração da República no Brasil, refere-se ao(à)
- Aausência de participação popular no processo de queda da Monarquia.
- Btensão social envolvida no processo de instauração do novo regime.
- Cmobilização de setores sociais na restauração do antigo regime.
- Dtemor dos setores burocráticos com o novo regime.
- Edemora na consolidação do novo regime.
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Resolução comentada
O texto é uma crônica sobre os dias seguintes à Proclamação da República (15 de novembro de 1889). O velho Lima, funcionário público, esteve doente e voltou ao trabalho sem saber que o regime havia mudado.
O que o texto mostra, passo a passo:
- Lima só descobre a mudança ao ver o retrato de D. Pedro II retirado da parede da repartição. Ele não soube da queda da Monarquia enquanto ela acontecia.
- O contínuo, funcionário subalterno, chama o imperador de "Pedro Banana" com desdém, sem demonstrar receio nem conflito.
- Lima reage com raiva e tristeza, mas apenas com palavras, sem confronto nem violência.
A ideia central é que a transição foi feita sem que a população estivesse envolvida: um doente de poucos dias nem ficou sabendo, e a vida na repartição seguiu normalmente. Isso confirma a tese clássica de que a República foi proclamada por militares e elites, com a população assistindo "bestializada", como disse Aristides Lobo.
A fala final, "Não dou três anos para que isso seja uma República", expressa a descrença de um monarquista, e não uma mobilização para restaurar a Monarquia ou um clima de tensão social.
Portanto, o texto trata da ausência de participação popular na queda da Monarquia.
Alternativa A.
Pegadinha: A alternativa E tenta com a frase final de Lima ("não dou três anos"), mas ela é só a descrença de um monarquista, não o tema da crônica, que é a alheamento popular diante da queda do regime.
Por que as outras alternativas estão erradas
- BO texto não mostra tensão social: a troca de regime passa quase despercebida e o diálogo é de desdém, sem conflito.
- CLima apenas lamenta e duvida do novo regime; não há mobilização de nenhum setor para restaurar a Monarquia.
- DO contínuo não demonstra temor algum; ao contrário, zomba do imperador deposto.
- EA frase final é uma opinião pessoal de Lima, não um retrato de demora na consolidação; o foco do texto é o desconhecimento da mudança.
Assuntos: proclamação da república, participação popular, interpretação de texto literário.
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