Questão 24 do ENEM PPL 2016
TEXTO I
Embora eles, artistas modernos, se deem como novos precursores duma arte a ir, nada é mais velho que a arte anormal. De há muitos já que a estudam os psiquiatras em seus tratados, documentando-se nos inúmeros desenhos que ornam as paredes internas dos manicômios. Essas considerações são provocadas pela exposição da Sra. Malfatti. Sejam sinceros: futurismo, cubismo, impressionismo e tutti quanti não passam de outros tantos ramos da arte caricatural.
LOBATO, M. Paranoia ou mistificação: a propósito da exposição de Anita Malfatti. O Estado de São Paulo, 20 dez.1917 (adaptado).
TEXTO II
Anita Malfatti, possuidora de uma alta consciência do que faz, a vibrante artista não temeu levantar com os seus cinquenta trabalhos as mais irritadas opiniões e as mais contrariantes hostilidades. As suas telas chocam o preconceito fotográfico que geralmente se leva no espírito para as nossas exposições de pintura. Na arte, a realidade na ilusão é o que todos procuram. E os naturalistas mais perfeitos são os que melhor conseguem iludir.
ANDRADE, O. A exposição Anita Malfatti. Jornal do Commercio, 11 jan. 1918 (adaptado).
TEXTO III

MALFATTI, A. O homem amarelo, 1915-1916. Óleo sobre tela, 61 x 51 cm. Disponível em: www.estadao.com.br. Acesso em: 28 fev. 2013.
A análise dos documentos apresentados demonstra que o cenário artístico brasileiro no primeiro quartel do século XX era caracterizado pelo(a)
- Adomínio do academicismo, que dificultava a recepção da vertente realista na obra de Anita Malfatti.
- Bdissonância entre as vertentes artísticas, que divergiam sobre a validade do modelo estético europeu.
- Cexaltação da beleza e da rigidez da forma, que justificavam a adaptação da estética europeia à realidade brasileira.
- Dimpacto de novas linguagens estéticas, que alteravam o conceito de arte e abasteciam a busca por uma produção artística nacional.
- Einfluência dos movimentos artísticos europeus de vanguarda, que levava os modernistas a copiarem suas técnicas e temáticas.
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Resolução comentada
Os três documentos giram em torno da exposição de Anita Malfatti (1917), marco da introdução das vanguardas europeias (expressionismo, cubismo, futurismo) no Brasil.
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Texto I (Monteiro Lobato): rejeita a obra, chamando-a de "arte anormal" e "caricatural". Isso mostra o choque que a nova linguagem provocou.
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Texto II (Oswald de Andrade): defende a artista e diz que suas telas "chocam o preconceito fotográfico", isto é, a ideia de que arte é imitar a realidade. Portanto, a nova estética questiona o conceito de arte vigente, baseado no naturalismo.
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Texto III: O homem amarelo tem cores fortes, contornos deformados e pinceladas expressivas, sem compromisso com a reprodução fiel do real. É um exemplo dessa nova linguagem.
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Contexto: esse debate abriu caminho ao Modernismo, que levou à Semana de 1922 e à busca de uma arte genuinamente brasileira, usando as vanguardas como ponto de partida, não como cópia.
Conclusão: o cenário era de impacto de novas linguagens que mudavam a noção de arte e alimentavam a procura por uma produção nacional.
Alternativa D.
Por que as outras alternativas estão erradas
- AAnita Malfatti não era realista; sua obra é de vanguarda, e o Texto II critica justamente o realismo fotográfico.
- BOs textos não discutem a validade do modelo europeu; o conflito é entre arte acadêmica e arte nova.
- CA rigidez da forma é o que a obra de Malfatti rompe; não há exaltação disso nem adaptação à realidade brasileira nos textos.
- EOs textos não tratam os modernistas como copistas; a influência europeia foi ponto de partida para uma arte nacional.
Assuntos: modernismo brasileiro, vanguardas europeias, Anita Malfatti.
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