Questão 124 do ENEM PPL 2016
Quinze de Novembro
Deodoro todo nos trinques
Bate na porta de Dão Pedro Segundo.
— Seu imperadô, dê o fora
que nós queremos tomar conta desta bugiganga.
Mande vir os músicos.
O imperador bocejando responde:
— Pois não meus filhos não se vexem
me deixem calçar as chinelas
podem entrar à vontade:
só peço que não me bulam nas obras completas de
[Victor Hugo.
MENDES, M. Poesia completa e prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994.
A poesia de Murilo Mendes dialoga com o ideário poético dos primeiros modernistas. No poema, essa atitude manifesta-se na
- Areleitura irônica de um fato histórico.
- Bvisão ufanista de um episódio nacional.
- Cdenúncia implícita de atitudes autoritárias.
- Disenção ideológica do discurso do eu lírico.
- Erepresentação saudosista do regime monárquico.
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Resolução comentada
O primeiro Modernismo (anos 1920) rejeitava a solenidade da história oficial e usava humor, coloquialismo e paródia para reler o passado nacional. O poema de Murilo Mendes faz exatamente isso.
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O fato histórico é a Proclamação da República, em 15 de novembro de 1889. A versão oficial a apresenta como um marco heroico e sério.
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O poeta a transforma em cena cotidiana e cômica. Deodoro chega "todo nos trinques" e bate à porta do imperador. Fala de modo informal: "dê o fora", "tomar conta desta bugiganga".
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D. Pedro II reage com mansidão e sem resistência. Boceja, pede para calçar as chinelas e só exige que não mexam nas obras de Victor Hugo. Isso o mostra como um intelectual desinteressado do poder.
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Esse tom rebaixa a solenidade do episódio e o desmitifica. Há paródia e ironia, típicas dos primeiros modernistas, que revisitavam a história com humor crítico.
Conclusão: o traço modernista está na releitura irônica de um fato histórico.
Alternativa A.
Por que as outras alternativas estão erradas
- BO poema não exalta o episódio; ao contrário, o rebaixa com humor e coloquialismo.
- CNão há denúncia de autoritarismo; a cena é cômica e a troca de poder ocorre sem violência.
- DO tom irônico e a caracterização dos personagens revelam posicionamento crítico, não isenção.
- ENão há saudade da monarquia; o imperador é retratado com ironia, bocejando e alheio ao poder.
Assuntos: modernismo, ironia e paródia, interpretação de poema.
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