Questão 39 do ENEM PPL 2015

1º dia · Ciências Humanas

A razão principal que leva o capitalismo como sistema a ser tão terrivelmente destrutivo da biosfera é que, na maioria dos casos, os produtores que lucram com a destruição não a registram como um custo de produção, mas sim, precisamente ao contrário, como uma redução no custo. Por exemplo, se um produtor joga lixo em um rio, poluindo suas águas, esse produtor considera que está economizando o custo de outros métodos mais seguros, porém mais caros de dispor do lixo.

WALLERSTEIN, I. Utopística ou as decisões históricas do século vinte e um.
Petrópolis: Vozes, 2003.

A pressão dos movimentos socioambientais, na tentativa de reverter a lógica descrita no texto, aponta para a

  1. A
    emergência de um sistema econômico global que secundariza os lucros.
  2. B
    redução dos custos de tratamento de resíduos pela isenção fiscal das empresas.
  3. C
    flexibilização do trabalho como estratégia positiva de corte de custos empresariais.
  4. D
    incorporação de um sistema normativo ambiental no processo de produção industrial.
  5. E
    minimização do papel do Estado em detrimento das organizações não governamentais.
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Resolução comentada

O texto mostra o que os economistas chamam de externalidade negativa: o produtor que polui joga o custo da destruição ambiental para a sociedade e ainda considera isso uma economia, pois evita métodos de descarte mais caros.

Para reverter essa lógica, é preciso fazer com que o dano ambiental passe a contar como custo para quem o causa. Isso se faz com regras, leis, multas, licenciamento e padrões que a empresa é obrigada a cumprir.

Assim, a pressão dos movimentos socioambientais leva à criação e à aplicação de normas ambientais, que passam a fazer parte do processo produtivo (tratamento de efluentes, filtros, descarte adequado). O poluir deixa de ser "redução de custo".

Conferindo as demais:

  1. O objetivo não é abandonar o lucro, mas obrigar a empresa a incluir o custo ambiental.
  2. Isenção fiscal reduziria a pressão para tratar resíduos; não muda a lógica descrita.
  3. A flexibilização do trabalho trata de custo trabalhista, tema alheio ao texto.
  4. Os movimentos cobram mais regulação do Estado, não sua diminuição.

A resposta é a incorporação de um sistema normativo ambiental à produção industrial.

Alternativa D.

Por que as outras alternativas estão erradas

  • AA pressão ambiental não busca um sistema que abandone o lucro, e sim que o dano ambiental seja contabilizado como custo.
  • BIsenção fiscal não obriga a empresa a assumir o custo da poluição e vai contra a ideia de responsabilização.
  • CFlexibilizar o trabalho é corte de custos trabalhistas, assunto que o texto não trata.
  • EOs movimentos socioambientais pedem mais regulação estatal, não a redução do papel do Estado.

Assuntos: questão ambiental, capitalismo e meio ambiente, regulação estatal.

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