Questão 27 do ENEM PPL 2015

1º dia · Ciências Humanas

A conquista pelos ingleses de grandes áreas da Índia deu o impulso inicial à produção e venda organizada de ópio. A Companhia das Índias Orientais obteve o monopólio da compra do ópio indiano e depois vendeu licenças para mercadores selecionados, conhecidos como “mercadores nativos”. Depois de vender ópio na China, esses mercadores depositavam a prata que recebiam por ele com agentes da companhia em Cantão, em troca de cartas de crédito; a companhia, por sua vez, usava a prata para comprar chá, porcelana e outros artigos que seriam vendidos na Inglaterra.

SPENCE, J. Em busca da China moderna. São Paulo: Cia. das Letras, 1996 (adaptado).

A análise das trocas comerciais citadas permite interpretar as relações de poder que foram estabelecidas. A partir desse pressuposto, o processo sócio-histórico identificado no texto é

  1. A
    a expansão político-econômica de países do Oriente, iniciada nas últimas décadas do século XX.
  2. B
    a consolidação do cenário político entreguerras, na primeira metade do século XX.
  3. C
    o colonialismo europeu, que marcou a expansão europeia no século XV.
  4. D
    o imperialismo, cujo ápice ocorreu na segunda metade do século XIX.
  5. E
    as libertações nacionais, ocorridas na segunda metade do século XX.
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Resolução comentada

O texto descreve o circuito do ópio: a Inglaterra domina grande parte da Índia, e a Companhia das Índias Orientais controla a compra do ópio indiano. Mercadores autorizados vendem a droga na China, e a prata recebida vai para a companhia em Cantão. Com essa prata, a companhia compra chá e porcelana chinesa para revender na Inglaterra.

Assim, uma potência industrial europeia controla territórios (Índia) e explora mercados e recursos de outra região (China) para obter matérias-primas, mercados consumidores e lucro. Isso é o imperialismo (ou neocolonialismo) do século XIX, quando as potências industriais partilharam e dominaram Ásia e África. O episódio leva às Guerras do Ópio (1839-1842 e 1856-1860), que abriram a China ao comércio forçado.

Conferindo o tempo:

  1. Conquista da Índia e comércio do ópio: séculos XVIII e XIX, com auge na segunda metade do XIX.
  2. Não se trata da expansão marítima do século XV, que teve outro caráter, pré-industrial.
  3. Não se trata de países orientais se expandindo nem de independências, pois aqui o Oriente é dominado.
  4. Não é o período entreguerras.

Portanto, o processo é o imperialismo.

Alternativa D.

Pegadinha: A alternativa C engana ao trazer 'colonialismo europeu', que parece servir por causa da conquista da Índia, mas o século XV e o contexto mercantil não batem com o texto.

Por que as outras alternativas estão erradas

  • Ainverte a relação: no texto o Oriente é dominado pela Inglaterra, e a época (século XIX) não é o fim do século XX.
  • Bo período entreguerras (1919-1939) não corresponde ao comércio do ópio do século XIX.
  • Co colonialismo do século XV é mercantilista e anterior à Revolução Industrial; o texto trata da dominação industrial britânica na Ásia.
  • Eas libertações nacionais do século XX são o oposto da conquista e exploração descritas.

Assuntos: imperialismo, guerras do ópio, colonialismo.

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