Questão 131 do ENEM PPL 2014
Contam, numa anedota, que certo dia Rui Barbosa saiu às ruas da cidade e se assustou com a quantidade de erros existentes nas placas das casas comerciais e que, diante disso, resolveu instituir um prêmio em dinheiro para o comerciante que tivesse o nome de seu estabelecimento grafado corretamente. Dias depois, Rui Barbosa saiu à procura do vencedor. Satisfeito, encontrou a placa vencedora: “Alfaiataria Águia de Ouro”. No momento da entrega do prêmio, ao dizer o nome da alfaiataria, Rui Barbosa foi interrompido pelo alfaiate premiado, que disse:
— Sr. Rui, não é “águia de ouro”; é “aguia de ouro”!
O caráter político do ensino de língua portuguesa no Brasil. Disponível em: http://rosabe.sites.uol.com.br. Acesso em: 2 ago. 2012.
A variação linguística afeta o processo de produção dos sentidos no texto. No relato envolvendo Rui Barbosa, o emprego das marcas de variação objetiva
- Aevidenciar a importância de marcas linguísticas valorizadoras da linguagem coloquial.
- Bdemonstrar incômodo com a variedade característica de pessoas pouco escolarizadas.
- Cestabelecer um jogo de palavras a fim de produzir efeito de humor.
- Dcriticar a linguagem de pessoas originárias de fora dos centros urbanos.
- Eestabelecer uma política de incentivo à escrita correta das palavras.
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Resolução comentada
A anedota depende de um choque entre duas formas de falar: Rui Barbosa, homem de cultura erudita, dá o prêmio à grafia "Águia", que segue a norma-padrão. O alfaiate, porém, corrige o famoso jurista dizendo que o certo seria "aguia", sem acento, mostrando que ele não domina a regra de acentuação.
O efeito de humor vem justamente dessa inversão de expectativa:
- O leitor espera que o premiado seja quem escreveu corretamente.
- O alfaiate acha que o certo é a forma sem acento e "corrige" Rui Barbosa.
- O humor está em o alfaiate parecer não perceber que o acento estava na placa premiada e que era essa a grafia correta.
As marcas de variação (a fala do alfaiate, num registro menos escolarizado) servem, então, como recurso do texto para construir a graça da anedota. Não há crítica a um grupo social, nem defesa da fala coloquial, nem campanha por escrita correta como objetivo do texto: a anedota só usa a diferença entre as variedades para fazer rir.
Alternativa C.
Por que as outras alternativas estão erradas
- AO texto não defende nem valoriza a linguagem coloquial; apenas a usa como recurso de humor.
- BNão há demonstração de incômodo de Rui Barbosa; o tom é de anedota, sem atitude de desprezo.
- DNada no texto remete a pessoas de fora dos centros urbanos; a crítica regional é inventada.
- EO prêmio de Rui Barbosa é só o enredo da anedota; o objetivo do texto é o humor, não uma política de incentivo.
Assuntos: variação linguística, humor, norma-padrão.
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