Questão 112 do ENEM PPL 2014
Evocação do Recife
A vida não me chegava pelos jornais nem pelos livros
Vinha da boca do povo na língua errada do povo
Língua certa do povo
Porque ele é que fala gostoso o português do Brasil
Ao passo que nós
O que fazemos
É macaquear
A sintaxe lusíada...
BANDEIRA, M. Estrela da vida inteira.
Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2007.
Segundo o poema de Manuel Bandeira, as variações linguísticas originárias das classes populares devem ser
- Asatirizadas, pois as várias formas de se falar o português no Brasil ferem a língua portuguesa autêntica.
- Bquestionadas, pois o povo brasileiro esquece a sintaxe da língua portuguesa.
- Csubestimadas, pois o português “gostoso” de Portugal deve ser a referência de correção linguística.
- Dreconhecidas, pois a formação cultural brasileira é garantida por meio da fala do povo.
- Ereelaboradas, pois o povo “macaqueia” a língua portuguesa original.
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Resolução comentada
O poema é de Manuel Bandeira, poeta modernista, e defende a valorização da fala popular brasileira. Vamos ver como o texto mostra isso.
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"A vida não me chegava pelos jornais nem pelos livros / Vinha da boca do povo": o eu lírico diz que aprendeu sobre a vida com a fala do povo, e não com a língua escrita e formal.
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"Na língua errada do povo / Língua certa do povo": o poeta joga com o "errado" e o "certo". Pela gramática normativa, a fala popular seria errada. Para o poeta, ela é a língua certa, porque é a que de fato se fala no Brasil.
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"Porque ele é que fala gostoso o português do Brasil": o povo é a referência da nossa língua, e a fala dele é elogiada.
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"Ao passo que nós / O que fazemos / É macaquear / A sintaxe lusíada": quem "macaqueia", isto é, imita sem originalidade, é a elite letrada, que copia a gramática de Portugal. O povo não é criticado.
Conclusão: as variedades populares devem ser reconhecidas e valorizadas, pois é nelas que se expressa a identidade cultural brasileira. Isso corresponde à alternativa D.
Alternativa D.
Pegadinha: A alternativa E engana ao usar "macaqueia" com o sujeito trocado: no poema, quem macaqueia é "nós" (a elite letrada), não o povo.
Por que as outras alternativas estão erradas
- AO poeta elogia as variações populares, não as satiriza; a crítica recai sobre a imitação de Portugal.
- BO poema não diz que o povo esquece a sintaxe portuguesa; diz que ele fala "gostoso" o português do Brasil.
- CInverte o sentido: quem tem o falar "gostoso" é o povo brasileiro, e Portugal não é tomado como modelo.
- EAtribui ao povo o "macaquear", mas é a elite letrada ("nós") que imita a sintaxe lusíada.
Assuntos: variação linguística, modernismo, interpretação de poema.
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