Questão 110 do ENEM PPL 2013

2º dia · Linguagens, Códigos

Televisão x cinema

Mais uma vez, reacende-se o desgastante debate sobre “linguagem de televisão” e “linguagem de cinema”.

No mesmo país em que pagar ingresso ainda é luxo para milhões de pessoas, alguns críticos utilizam o termo “televisivo” para depreciar uma obra. E “cinematográfico” para enaltecê-la.

Como se houvesse um juiz onipotente a permitir ou não que se sinta uma história da maneira que se pretende senti-la.

Todos os sentidos ficam de fora da análise ignorante, tipicamente política, que divorcia a técnica da percepção sensorial. E é exatamente aí que reside o único interesse de um realizador: o momento do encontro do espectador com a obra.

MONJARDIM, J. O Globo, Rio de Janeiro, 24 set. 2004 (adaptado).

Ao comentar o ressurgimento do debate sobre “linguagem de televisão” e “linguagem de cinema”, o autor mostra a

  1. A
    importância do debate para o entendimento destes dois diferentes meios de linguagem: a televisão e o cinema.
  2. B
    atitude prepotente dos críticos ao julgarem preconceituosamente as escolhas do público.
  3. C
    validade do debate para o aprimoramento da linguagem do cinema e da televisão.
  4. D
    neutralidade dos críticos no uso das palavras “televisivo” e “cinematográfico”.
  5. E
    contribuição dos críticos na valorização dos sentimentos do espectador.
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Resolução comentada

O autor chama o debate de "desgastante" e critica os críticos que usam "televisivo" para depreciar e "cinematográfico" para enaltecer. Ele os compara a "um juiz onipotente", que decidiria como o público pode sentir uma história.

Para o autor, essa análise é "ignorante" e "política", pois separa a técnica da percepção sensorial. O que importa ao realizador é o encontro do espectador com a obra.

O texto mostra, portanto, uma crítica à postura dos críticos: eles se põem como juízes, com julgamento preconceituoso, e ignoram a experiência do público.

Conferindo as alternativas:

  1. (A) e (C) tratam o debate como útil, mas o autor o chama de desgastante.
  2. (D) diz que os críticos são neutros, mas o autor mostra que eles julgam e depreciam.
  3. (E) diz que os críticos valorizam os sentimentos do espectador, mas o autor afirma que eles deixam os sentidos "de fora da análise".
  4. (B) resume a ideia central: prepotência ao impor um julgamento sobre como o público deve sentir a obra.

Alternativa B.

Por que as outras alternativas estão erradas

  • AO autor chama o debate de desgastante, não de importante para entender as linguagens.
  • CEle não vê validade no debate nem fala em aprimorar as linguagens.
  • DOs termos são usados para depreciar ou enaltecer, ou seja, os críticos não são neutros.
  • ESegundo o texto, os críticos deixam os sentidos e sentimentos de fora da análise.

Assuntos: interpretação de texto, opinião do autor.

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