Questão 99 do ENEM PPL 2012

2º dia · Linguagens, Códigos

Tira cômica de Laerte: à esquerda há um monte de folhas no chão e a estrutura metálica de um balanço; na parte superior esquerda lê-se o texto em caixa alta "ÀS VEZES NA VIDA TEMOS QUE PARAR PARA UM BALANÇO."; à direita, vê-se um homem adulto com expressão descontraída balançando-se no brinquedo de parquinho.

LAERTE. Disponível em: http://claudiagiron.blog.terra.com.br. Acesso em: 8 set. 2011.

Na tira, o recurso utilizado para produzir humor é a

  1. A
    transformação da inércia em movimento por meio do balanço.
  2. B
    universalização do enunciador por meio do uso da primeira pessoa do plural.
  3. C
    polissemia da palavra balanço, ou seja, seus múltiplos sentidos.
  4. D
    pressuposição de que o ócio é melhor que o trabalho.
  5. E
    metaforização da vida como caminho a ser seguido continuamente.
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Resolução comentada

O humor da tira nasce de uma palavra que pode ser lida de dois modos, o que se chama polissemia (uma palavra com vários sentidos).

  1. No texto verbal, "parar para um balanço" é uma expressão comum: significa interromper a rotina para refletir e avaliar a própria vida, como num balanço financeiro ou um balanço do ano.

  2. A imagem mostra um homem adulto se divertindo num balanço de parquinho. Aqui "balanço" é o brinquedo, e o movimento de ir e vir.

  3. O leitor espera o sentido figurado (reflexão), mas a imagem o quebra ao mostrar o sentido literal (brincar no brinquedo). Essa quebra de expectativa produz o efeito cômico.

Conferindo as outras opções: o uso de "temos" (1ª pessoa do plural) não é o que faz graça; a tira não compara ócio e trabalho; e não há metáfora da vida como caminho. O que sustenta a piada é o duplo sentido de "balanço".

Alternativa C.

Por que as outras alternativas estão erradas

  • Aa tira não trata de inércia virando movimento; o movimento é só a imagem do brinquedo, não o recurso do humor.
  • Bo "temos" inclui o leitor, mas isso não gera humor; a graça está no duplo sentido da palavra.
  • Dnão há comparação entre ócio e trabalho no texto; trabalho nem aparece.
  • Ea vida não é comparada a um caminho contínuo; a tira fala justamente de parar.

Assuntos: polissemia, humor em tirinhas, sentido literal e figurado.

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