PRÁTICA COM QUESTÕES OFICIAIS

Questão 8 do ENEM PPL 2011

1º dia · Ciências Humanas · Geografia: Estrutura fundiária, conflitos no campo e reforma agrária

Há 500 anos, desde a chegada do colonizador português, começaram as lutas contra o cativeiro e consequentemente contra o cativeiro da terra, contra a expulsão, que marcam as lutas dos trabalhadores. Das lutas dos povos indígenas, dos escravos e dos trabalhadores livres e, desde o final do século passado, dos imigrantes, desenvolveram-se as lutas camponesas pela terra.

FERNANDES, B. M. Brasil: 500 anos de luta pela terra. Revista de Cultura Vozes. Nº 2, 1999 (adaptado).

Os processos sociais e econômicos que deram origem e conformaram a identidade do Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST) têm em suas raízes mudanças relacionadas

  1. A
    à distribuição de terras expropriadas dos grupos multinacionais e partilhadas entre os trabalhadores rurais.
  2. B
    à política neoliberal, que proporcionou investimentos no campo e reduziu os conflitos fundiários.
  3. C
    à migração de trabalhadores rurais brasileiros para o Paraguai, com o objetivo de cultivar soja.
  4. D
    ao crescimento da luta pela terra e da implantação de assentamentos.
  5. E
    à luta pelo acesso e permanência na terra, que passou da esfera nacional para a local.
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Resolução comentada

O texto de Fernandes mostra que a luta pela terra no Brasil é histórica: vem desde a colonização, passa pelos indígenas, pelos escravos, pelos trabalhadores livres e pelos imigrantes, e desemboca nas lutas camponesas. O MST, portanto, não surge do nada, mas como herdeiro dessa longa trajetória de resistência contra a concentração fundiária e a expulsão do trabalhador do campo.

A questão pede as mudanças que estão na raiz do movimento. Ele nasce no fim dos anos 1970 e no início dos anos 1980, com a modernização conservadora da agricultura, que mecanizou o campo, concentrou a terra e expulsou muitos pequenos produtores e trabalhadores rurais. Em resposta, cresceram as ocupações e a reivindicação da reforma agrária, o que levou à criação de assentamentos.

Assim, o que está na origem e na identidade do MST é o crescimento da luta pela terra e da implantação de assentamentos, coerente com o texto.

As demais alternativas trazem processos que não correspondem à origem do movimento: expropriação de multinacionais, efeitos benéficos do neoliberalismo, migração para o Paraguai ou deslocamento da luta do plano nacional para o local.

Alternativa D.

Por que as outras alternativas estão erradas

  • ANão houve expropriação de terras de multinacionais para distribuição aos trabalhadores; a reforma agrária mira latifúndios improdutivos.
  • BA política neoliberal não reduziu os conflitos fundiários; eles continuaram, e o investimento no campo favoreceu o agronegócio.
  • CA migração de brasileiros para o Paraguai (brasiguaios) é fenômeno distinto e não explica a origem do MST.
  • EA luta pela terra é nacional e organizada em escala nacional; o texto não indica passagem do nacional para o local.

Assunto: Estrutura fundiária, conflitos no campo e reforma agrária.

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