PRÁTICA COM QUESTÕES OFICIAIS
Questão 34 do ENEM PPL 2010
No século XX, o transporte rodoviário e a aviação civil aceleraram o intercâmbio de pessoas e mercadorias, fazendo com que as distâncias e a percepção subjetiva das mesmas se reduzissem constantemente. É possível apontar uma tendência de universalização em vários campos, por exemplo, na globalização da economia, no armamentismo nuclear, na manipulação genética, entre outros.
HABERMAS, J. A constelação pós-nacional: ensaios políticos. São Paulo: Littera Mundi, 2001 (adaptado).
Os impactos e efeitos dessa universalização, conforme descritos no texto, podem ser analisados do ponto de vista moral, o que leva à defesa da criação de normas universais que estejam de acordo com
- Aos valores culturais praticados pelos diferentes povos em suas tradições e costumes locais.
- Bos pactos assinados pelos grandes líderes políticos, os quais dispõem de condições para tomar decisões.
- Cos sentimentos de respeito e fé no cumprimento de valores religiosos relativos à justiça divina.
- Dos sistemas políticos e seus processos consensuais e democráticos de formação de normas gerais.
- Eos imperativos técnico-científicos, que determinam com exatidão o grau de justiça das normas.
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Resolução comentada
O texto de Habermas mostra que o avanço dos transportes, da economia global, das armas nucleares e da manipulação genética criou efeitos que atingem a humanidade inteira, e não apenas uma nação. Se os problemas são universais, as normas para tratá-los também precisam ser universais.
A questão pergunta com o que essas normas devem estar de acordo. Habermas é o filósofo da ética discursiva e da democracia deliberativa. Para ele, uma norma só é legítima quando surge do diálogo entre todos os afetados, por procedimentos consensuais e democráticos, sem imposição de tradição, religião, autoridade ou técnica.
Analisando as alternativas com essa ideia:
- Valores locais, de tradições e costumes, não servem de base para normas universais, porque variam de povo para povo.
- Pactos de grandes líderes excluem a participação dos demais afetados, o que contraria o consenso democrático.
- Valores religiosos particulares não são compartilhados por todos, logo não fundam normas gerais.
- Sistemas políticos com processos consensuais e democráticos de formação de normas gerais correspondem exatamente à proposta de Habermas.
- A técnica e a ciência não definem sozinhas o que é justo; a justiça é questão moral e deliberativa.
Alternativa D.
Por que as outras alternativas estão erradas
- ACostumes locais são particulares e diversos, incompatíveis com normas universais.
- BDecisões de líderes poderosos não envolvem os afetados, contrariando o consenso democrático.
- CA fé e a justiça divina pertencem a religiões específicas, sem validade universal.
- EAtribui à técnica e à ciência a definição da justiça, que é uma questão moral e deliberativa.
Assunto: Democracia, liberalismo e Estado de direito.
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