PRÁTICA COM QUESTÕES OFICIAIS
Questão 23 do ENEM PPL 2010
A dependência regional maior ou menor da mão de obra escrava teve reflexos políticos importantes no encaminhamento da extinção da escravatura. Mas a possibilidade e a habilidade de lograr uma solução alternativa – caso típico de São Paulo – desempenharam, ao mesmo tempo, papel relevante.
FAUSTO, B. História do Brasil. São Paulo: EDUSP, 2000.
A crise do escravismo expressava a difícil questão em torno da substituição da mão de obra, que resultou
- Ana constituição de um mercado interno de mão de obra livre, constituído pelos libertos, uma vez que a maioria dos imigrantes se rebelou contra a superexploração do trabalho.
- Bno confronto entre a aristocracia tradicional, que defendia a escravidão e os privilégios políticos, e os cafeicultores, que lutavam pela modernização econômica com a adoção do trabalho livre.
- Cno “branqueamento” da população, para afastar o predomínio das raças consideradas inferiores e concretizar a ideia do Brasil como modelo de civilização dos trópicos.
- Dno tráfico interprovincial dos escravos das áreas decadentes do Nordeste para o Vale do Paraíba, para a garantia da rentabilidade do café.
- Ena adoção de formas disfarçadas de trabalho compulsório com emprego dos libertos nos cafezais paulistas, uma vez que os imigrantes foram trabalhar em outras regiões do país.
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Resolução comentada
O texto de Boris Fausto diz que a dependência regional do trabalho escravo influenciou a abolição. Diz também que São Paulo encontrou uma "solução alternativa": a imigração europeia subsidiada, que substituiu o escravo no café do Oeste Paulista.
O que a questão pede é uma consequência da crise do escravismo e da dificuldade de substituir a mão de obra. Vamos conferir cada hipótese com o contexto histórico:
- Nas regiões menos dinâmicas, como o Nordeste e o Vale do Paraíba, a dependência do escravo era maior, e seus proprietários resistiam à abolição.
- No Oeste Paulista, os cafeicultores mais modernos adotaram o imigrante e aceitaram a abolição com mais facilidade.
- Entre as alternativas, a que descreve o conflito entre os dois grupos é a B, mas ela erra ao chamar um dos lados de "aristocracia tradicional" em oposição aos cafeicultores. Quem defendia a escravidão eram também cafeicultores, os do Vale do Paraíba.
- A C cita o branqueamento, que é uma ideologia da época, mas não responde à substituição da mão de obra em si.
- A D descreve o tráfico interprovincial, que de fato ocorreu a partir de 1850. Porém foi do Nordeste para o Sudeste cafeeiro, sobretudo o Oeste Paulista, e ocorreu antes da crise final, como tentativa de adiar a abolição.
A alternativa B é a que melhor traduz a ideia central do texto, o confronto de interesses regionais sobre o fim da escravidão e a adoção do trabalho livre.
Alternativa B.
Por que as outras alternativas estão erradas
- AAfirma que a maioria dos imigrantes se rebelou, o que é falso; o imigrante foi a principal solução adotada, não os libertos.
- CO branqueamento foi uma ideologia associada à imigração, mas não descreve o resultado da substituição da mão de obra tratado no texto.
- DO tráfico interprovincial foi anterior e foi para o Oeste Paulista, e não responde à crise e à solução alternativa de São Paulo.
- EOs imigrantes foram em grande número para os cafezais paulistas, não para outras regiões.
Assuntos: Economia cafeeira, Lei de Terras e imigração, Escravidão no Império e abolição.
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