PRÁTICA COM QUESTÕES OFICIAIS
Questão 123 do ENEM PPL 2010
O novo boca a boca
Tomara que não seja verdade, porque, se for, os críticos, comentaristas, os chamados formadores de opinião, todos corremos o risco de perder nossa razão de ser e nossos empregos. Há uma nova ameaça à vista. Dizem que a Internet será em breve, já está sendo, o boca a boca de milhões de pessoas, isto é, vai substituir aquele processo usado tradicionalmente para recomendar um filme, uma peça, um livro e até um candidato. Não mais a orientação transmitida pela imprensa e nem mesmo as dicas dadas pessoalmente – tudo seria feito virtualmente pelos mecanismos de mobilização da rede.
VENTURA, Z. O Globo, 19 set. 2009 (fragmento).
Segundo o texto, a Internet apresenta a possibilidade de modificar as relações sociais, na medida em que estabelece novos meios de realizar atividades cotidianas. A preocupação do autor acerca do desaparecimento de determinadas profissões deve-se
- Aàs habilidades necessárias a um bom comunicador, que podem ser comprometidas por problemas pessoais.
- Bà confiabilidade das informações transmitidas pelos internautas, que superam as informações jornalísticas.
- Cao número de pessoas conectadas à Internet, à rapidez e à facilidade com que a informação acontece.
- Daos boatos que atingem milhões de pessoas, levando a população a desacreditar nos formadores de opinião.
- Eaos computadores serem mais eficazes do que os profissionais da escrita para informar a sociedade.
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Resolução comentada
O autor teme que críticos, comentaristas e formadores de opinião percam "a razão de ser" e os empregos. O motivo está no próprio texto: a Internet pode virar "o boca a boca de milhões de pessoas", substituindo tanto a orientação da imprensa quanto as dicas dadas pessoalmente. Tudo seria feito "virtualmente pelos mecanismos de mobilização da rede".
Ou seja, a ameaça vem da escala (milhões de pessoas conectadas) e da rapidez e facilidade com que a recomendação circula na rede, tornando dispensável o intermediário profissional.
Conferindo as alternativas:
- O texto não fala de habilidades do comunicador nem de problemas pessoais.
- O autor não afirma que a informação dos internautas seja mais confiável que a jornalística; diz apenas que ela pode substituir a imprensa como fonte de recomendação.
- Não há menção a boatos nem a descrédito.
- Não se compara a eficácia de computadores e de profissionais da escrita; quem recomenda são pessoas, pela rede.
A única que reflete o argumento do texto é a que une o grande número de conectados com a facilidade e a rapidez da circulação da informação.
Alternativa C.
Por que as outras alternativas estão erradas
- AIntroduz habilidades do comunicador e problemas pessoais, assunto que o texto não aborda.
- BAfirma que a informação dos internautas supera a jornalística em confiabilidade, o que o texto não diz.
- DFala em boatos e descrédito dos formadores de opinião, ideia ausente do texto.
- ECompara computadores a profissionais da escrita; o texto trata de pessoas se recomendando pela rede, não de máquinas.
Assunto: Inferência e implícitos (pressupostos e subentendidos).
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