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Questão 4 (CFS 1) da EEAR 2026

CFS 1 · Português: Intertextualidade e comparação entre textos

– Tomando por base a afirmação a seguir, de Afrânio Coutinho, a respeito da não existência de conflito entre a Literatura e a vida, assinale a alternativa que parece opor-se ao pensamento do autor.

“Através das obras literárias tomamos contato com a vida, nas suas verdades eternas, comuns a todos os homens e lugares, porque são as verdades da mesma condição humana.”

  1. A
    “Onde está/ a poesia indaga-se/ por toda parte. E a poesia/ vai à esquina comprar jornal.” (F. Gullar)
  2. B
    “Só cabe no poema/ o homem sem estômago/ a mulher de nuvens/ a fruta sem preço/ O poema, senhores,/ não fede/ nem cheira.” (F. Gullar)
  3. C
    “O regionalismo é o pé de fogo da literatura... Mas a dor é universal, porque uma expressão de humanidade.” (J. Américo de Almeida)
  4. D
    “Sai um sujeito de uma casa com a roupa de brim branco muito bem engomada,/ e na primeira esquina passa um caminhão,/ salpica-lhe o paletó de uma nódoa de lama:/ É a vida./ O poema dever ser como a nódoa no brim.” (M. Bandeira)
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Resolução comentada

Afrânio Coutinho diz que a literatura não se opõe à vida: pelas obras tomamos contato com verdades humanas universais. Portanto, procuramos o trecho que separa a poesia da vida real, ou seja, que a coloca num mundo idealizado, alheio à experiência concreta.

Análise dos trechos:

  1. Em (A), Gullar diz que a poesia está "por toda parte" e "vai à esquina comprar jornal". A poesia está no cotidiano, em harmonia com a vida.
  2. Em (C), Zé Américo afirma que a dor é universal, ainda que o tema seja regional. Isso coincide com as "verdades comuns a todos os homens e lugares".
  3. Em (D), Bandeira defende que o poema deve ser como a nódoa no brim: o imprevisto da vida que suja a roupa limpa. O poema nasce da vida concreta.
  4. Em (B), Gullar diz que no poema só cabe o "homem sem estômago", a "mulher de nuvens" e a "fruta sem preço", e que o poema "não fede nem cheira". Aqui há ironia: ele descreve uma poesia asséptica, sem corpo, sem necessidades e sem cheiro, isto é, desligada da vida real. Ao tirar do poema o estômago (fome, corpo) e o preço (economia, realidade), ele retrata a literatura apartada da vida, justamente o oposto do que Coutinho afirma.

Logo, a alternativa que parece opor-se ao pensamento do autor é a (B).

Alternativa B.

Por que as outras alternativas estão erradas

  • AMostra a poesia presente em toda parte e no cotidiano (comprar jornal), o que concorda com a ligação entre literatura e vida.
  • CAfirma que a dor é universal mesmo no regionalismo, ideia próxima das verdades comuns da condição humana.
  • DDefende que o poema deve ser como a nódoa que a vida joga no brim, isto é, ligado ao real, não oposto.

Assunto: Intertextualidade e comparação entre textos.

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Fonte: EEAR 2026 · CFS 1. Prova oficial ↗