PRÁTICA COM QUESTÕES OFICIAIS
Questão 2 (CFS 1) da EEAR 2025
Texto-base das questões 01 a 03 · CFS 1
Furto de flor
Carlos Drummond de Andrade
Furtei uma flor daquele jardim. O porteiro cochilava e eu furtei a flor. Trouxe-a para a casa e coloquei-a no copo com água. Logo senti que ela não estava feliz.
O copo destina-se a beber, e flor não é para ser bebida. Passei-a para o vaso, e notei que ela me agradecia, revelando melhor sua delicada composição. Quantas novidades há numa flor, se a contemplarmos bem.
Sendo o autor do furto, eu assumira a obrigação de conservá-la. Renovei a água do vaso, mas a flor empalidecia. Temi por sua vida. Não adiantava restituí-la ao jardim. Nem apelar para o médico de flores. Eu a furtara, eu a via morrer.
Já murcha, e com cor particular da morte, peguei-a docemente e fui depositá-la no jardim onde desabrochara. O porteiro estava atento e repreendeu-me:
– Que ideia a sua vir jogar lixo de sua casa neste jardim!
Contos plausíveis. Rio de Janeiro, José Olympio, 1985. p. 80.
As questões de 01 a 03 referem-se ao texto acima.
– Ao final do texto, contrapondo-se o comportamento do narrador e do porteiro, pode-se apontar, respectivamente, a existência de
- Aremissão e insensibilidade.
- Breparação e comiseração.
- Cobrigação e negligência.
- Dculpa e zelo.
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Resolução comentada
Para resolver, observe o que cada personagem faz no desfecho da crônica.
-
O narrador: depois de furtar a flor, assume a "obrigação de conservá-la", cuida dela e sofre ao vê-la morrer. Ao final, devolve a flor murcha ao jardim onde ela nasceu. Esse gesto é uma tentativa de reparar o erro, de se redimir do furto. Essa ideia de redenção, de pedir perdão pelo que fez, é a remissão.
-
O porteiro: no início cochilava, ou seja, não cuidava do jardim. No fim, só enxerga "lixo" no que era uma flor morta. Ele não percebe o sentido do gesto do narrador nem a beleza e a morte da flor. Isso mostra insensibilidade.
O contraste pedido é, portanto, entre o narrador, que busca remissão (redimir-se), e o porteiro, que se mostra insensível.
Conferindo as outras opções: "comiseração" (pena) não cabe ao porteiro, que repreende com aspereza. "Zelo" também não, pois ele cochilava. "Negligência" não descreve o narrador, que foi atencioso com a flor.
Alternativa A.
Por que as outras alternativas estão erradas
- BO porteiro não sente comiseração (pena); ele repreende o narrador de modo ríspido.
- CO narrador não foi negligente, pois cuidou da flor; a negligência combinaria mais com o porteiro que cochilava.
- DO porteiro não demonstra zelo: cochilava e trata a flor como lixo.
Assunto: Inferência e implícitos (pressupostos e subentendidos).
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Fonte: EEAR 2025 · CFS 1. Prova oficial ↗