PRÁTICA COM QUESTÕES OFICIAIS

Questão 3 (CFS 2) da EEAR 2023

CFS 2 · Português · Literatura: Linguagem literária e figuras de linguagem

Texto-base das questões 01 a 03 · CFS 2

Duelo

Eduardo Cajueiro

Razão e emoção: grande duelo.
A qual das duas eu recorro mais?
E qual das duas por certo me traz
A estabilidade por que zelo?

“Tens que ser forte”, diz-me a tal razão.
“Foge das picuinhas do amor.”
Mas como ter da vida algum sabor,
Se uma andorinha só não faz verão?

E ouço a ladainha entrementes:
“Afasta-te do amor que logo sentes,
Pr’o teu juízo não retroceder.”

Mas vem o coração pra decretar:
“O amor que faz a gente se encontrar
É o mesmo pelo qual se quer perder.”

As questões de 01 a 03 referem-se ao texto acima.

– O duelo presente no soneto evidencia-se por meio

  1. A
    de um debate interno, cujo vencedor é o coração.
  2. B
    de ordens dadas pela razão ao coração, que levam o eu lírico a resignar-se.
  3. C
    de um conflito do eu lírico, acostumado a recorrer à razão em momentos difíceis.
  4. D
    da personificação dos opostos razão e emoção, mas que dialogam de maneira conciliável.
Escolha uma alternativa para conferir o gabarito.
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Resolução comentada

O soneto coloca em cena dois lados do eu lírico: a razão, que aconselha a fugir do amor ("Tens que ser forte", "Afasta-te do amor"), e o coração, que fala só no último terceto. Os dois são personificados, isto é, recebem voz como se fossem pessoas. O poema é, portanto, um debate interno.

Veja o que cada alternativa afirma:

  1. (A) Fala em debate interno, e isso está certo. Já a ideia de que o coração vence se apoia no fim: ele "decreta" que o amor é aquilo pelo qual a gente se encontra e também se perde. É a última palavra, e ela contraria a razão. Não há, porém, o fim da dúvida, mas é o coração quem encerra o duelo.
  2. (B) Está invertida: quem dá ordens é a razão, mas o eu lírico não se resigna. Ele questiona ("Mas como ter da vida algum sabor?") e dá voz ao coração.
  3. (C) O eu lírico não afirma recorrer à razão nos momentos difíceis. Ele pergunta a qual das duas recorre mais, sem resposta.
  4. (D) Razão e emoção não dialogam de modo conciliável: as falas se opõem e não chegam a acordo.

Só a alternativa A descreve bem o duelo, interno, com o coração tendo a última palavra.

Alternativa A.

Por que as outras alternativas estão erradas

  • BDiz que o eu lírico se resigna às ordens da razão, mas ele resiste e o coração responde.
  • CAfirma que o eu lírico costuma recorrer à razão, mas o poema apenas pergunta a qual das duas ele recorre mais.
  • DFala em diálogo conciliável, mas as vozes são opostas e não chegam a acordo.

Assuntos: Linguagem literária e figuras de linguagem, Gênero lírico: eu lírico e leitura de poema.

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Fonte: EEAR 2023 · CFS 2. Prova oficial ↗