PRÁTICA COM QUESTÕES OFICIAIS

Questão 3 (CFS 2) da EEAR 2021

CFS 2 · Português: Estratégias e tipos de argumento

Texto-base das questões 01 a 03 · CFS 2

O que é Agricultura Sintrópica?

Dayana Andrade

Não existe uma resposta rápida. Temos que ser francos e, logo de cara, avisar que aqui você não vai encontrar uma receita pronta para copiar e colar. A agricultura sintrópica (também descrita como agrofloresta sucessional) não é um pacote tecnológico que pode ser comprado, nem um plano definitivo de design ajustável para todos os gostos. Ela é, antes de tudo, uma mudança no olhar. É uma nova proposta de leitura dos ecossistemas que abre caminho para que o agricultor aprenda a buscar suas respostas usando outro raciocínio, bem diferente do que estamos acostumados.

A Agricultura Sintrópica é constituída por um conjunto teórico e prático de um modelo de agricultura desenvolvido por Ernst Götsch, no qual os processos naturais são traduzidos para as práticas agrícolas tanto em sua forma, quanto em sua função e dinâmica. Assim podemos falar em regeneração pelo uso, uma vez que o estabelecimento de áreas agrícolas altamente produtivas, e que tendem à independência de insumos e irrigação, tem como consequência a oferta de serviços ecossistêmicos, com especial destaque para a formação de solo, a regulação do microclima e o favorecimento do ciclo da água. Ou seja, o plantio agrícola é concomitante à regeneração de ecossistemas.

Ao invés de receitas, há um conjunto de conceitos e técnicas que viabilizam o acesso a suas características fundamentais. O criador da Agricultura Sintrópica, Ernst Götsch, baseia sua cosmovisão transdisciplinar em muita ciência e a prática diária de mais de cinco décadas. A lógica que orienta sua tomada de decisão percorre um trajeto que nasce na ética de Kant e atravessa a física, a filosofia grega e a matemática. Ele também se apoia na biologia, química, ecologia e botânica, e se abastece da cena tecnológica do momento, adaptando técnicas e ferramentas de outras áreas. Portanto, a agricultura de Ernst Götsch se vale de um encadeamento coerente e sistemático de dados, livre de contradições internas, que não somente percorre uma narrativa lógica como também inclui uma expressão concreta no fim do caminho. Do planejamento à execução do plantio, há método, e há resultado prático. Mais que uma boa ideia, a Agricultura Sintrópica comprovadamente funciona, e pode responder aos maiores desafios sociais e ambientais do nosso tempo.

Disponível em https://agendagotsch.com/pt/what-is-syntropic-farming/

As questões de 01 a 03 referem-se ao texto acima.

– Marque a alternativa que exemplifica a estratégia textual usada pela autora, no primeiro parágrafo, para conceituar Agricultura Sintrópica.

  1. A
    A autora optou por apresentar, primeiramente, duas negações, para realizar duas afirmações, por meio de frases com estruturas sintáticas que valorizam verbos que são impessoais.
  2. B
    A autora optou por apresentar, primeiramente, duas negações, para realizar duas afirmações, por meio de frases com estruturas sintáticas que valorizam verbos de movimento.
  3. C
    A autora optou por apresentar, primeiramente, duas negações, para realizar duas afirmações, por meio de frases com estruturas sintáticas que valorizam verbos de ligação.
  4. D
    A autora optou por apresentar, primeiramente, duas afirmações, para realizar duas negações, por meio de frases com estruturas sintáticas que valorizam verbos de ligação.
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Resolução comentada

Releia o trecho em que a autora define o conceito: "A agricultura sintrópica [...] não é um pacote tecnológico que pode ser comprado, nem um plano definitivo [...]. Ela é, antes de tudo, uma mudança no olhar. É uma nova proposta de leitura dos ecossistemas [...]".

  1. Primeiro vêm as negações: "não é um pacote tecnológico" e "nem [é] um plano definitivo". São duas, e elas servem para afastar ideias erradas sobre o conceito.
  2. Depois vêm as afirmações: "Ela é uma mudança no olhar" e "É uma nova proposta de leitura dos ecossistemas". São duas também, e é aqui que o conceito é de fato construído.
  3. O verbo das frases é ser. Ele liga o sujeito (a agricultura sintrópica) a um predicativo ("pacote", "plano", "mudança", "proposta"). Isso o caracteriza como verbo de ligação, que atribui uma característica ao sujeito, e não como verbo de movimento nem impessoal. Verbo impessoal não tem sujeito, como haver ou chover, e aqui o sujeito existe.

Portanto, a estratégia é: duas negações, depois duas afirmações, todas com verbos de ligação.

Alternativa C.

Pegadinha: A alternativa D troca a ordem (afirmações antes de negações) e repete "verbos de ligação", o que engana quem só confere o tipo de verbo e não a sequência.

Por que as outras alternativas estão erradas

  • AO verbo "ser" tem sujeito (a agricultura sintrópica) e liga-o a um predicativo; não é impessoal.
  • B"Ser" não indica movimento; é verbo de ligação.
  • DInverte a ordem: o texto começa com as negações e depois traz as afirmações.

Assunto: Estratégias e tipos de argumento.

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Fonte: EEAR 2021 · CFS 2. Prova oficial ↗