PRÁTICA COM QUESTÕES OFICIAIS
Questão 1 (CFS 1) da EEAR 2018
Direitos Humanos e Literatura
Antonio Cândido
Chamarei de literatura, da maneira mais ampla possível, todas as criações de toque poético, ficcional ou dramático em todos os níveis de uma sociedade, em todos os tipos de cultura, desde o que chamamos folclore, lenda, chiste, até as formas mais complexas e difíceis da produção escrita das grandes civilizações.
Vista desse modo, a literatura aparece claramente como manifestação universal de todos os homens em todos os tempos. Não há povo e não há homem que possam viver sem ela, isto é, sem a possibilidade de entrar em contato com alguma espécie de fabulação. Assim como todos sonham todas as noites, ninguém é capaz de passar as vinte e quatro horas do dia sem alguns momentos de entrega ao universo fabuloso. O sonho assegura, durante o sono, a presença indispensável desse universo, independentemente da nossa vontade. E, durante a vigília, a criação ficcional ou poética, que é a mola da literatura em todos os seus níveis e modalidades, está presente em cada um de nós, analfabeto ou erudito – como anedota, causo, história em quadrinho, noticiário policial, canção popular, moda de viola, samba carnavalesco. Ela se manifesta desde o devaneio amoroso ou econômico no ônibus até a atenção fixada na novela de televisão ou na leitura corrida de um romance.
Ora, se ninguém pode passar vinte e quatro horas sem mergulhar no universo da ficção e da poesia, a literatura concebida no sentido amplo a que me referi parece corresponder a uma necessidade universal, que precisa ser satisfeita e cuja satisfação constitui um direito. [...]
Portanto, assim como não é possível haver equilíbrio psíquico sem o sonho durante o sono, talvez não haja equilíbrio social sem a literatura. Desse modo, ela é fator indispensável de humanização e, sendo assim, confirma o homem na sua humanidade, inclusive porque atua em grande parte no subconsciente e no inconsciente.
http://www.dhnet.org.br/direitos/textos/textos_dh/literatura.html
– Pode-se entender que a literatura deve estar entre os Direitos Humanos (do título) porque ela
- Aé essencial a todos os povos.
- Bestá presente em cada um de nós, analfabetos ou eruditos.
- Caparece como manifestação de todos os homens em todos os tempos.
- Dconstitui um direito quando tida como determinante da satisfação humana.
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Resolução comentada
O argumento central do texto é que a satisfação de uma necessidade universal constitui um direito. Para acompanhá-lo, é importante perceber que Antonio Candido usa “literatura” em sentido amplo: ela inclui tanto obras escritas complexas quanto anedotas, canções, lendas e outras formas de fabulação.
Primeiro, o autor mostra que todos precisam entrar em contato com o universo da ficção e da poesia. Depois, afirma que essa necessidade “precisa ser satisfeita e cuja satisfação constitui um direito”. É essa passagem que estabelece a relação entre literatura e Direitos Humanos.
Assim, a alternativa D deve ser entendida como referência à satisfação dessa necessidade humana de fabulação, e não como promessa de felicidade ou satisfação de todos os desejos. O último parágrafo reforça essa ideia ao apresentar a literatura como fator indispensável de humanização.
As demais alternativas descrevem a universalidade da literatura, mas não explicitam o passo decisivo do argumento: uma necessidade humana fundamental deve ter sua satisfação assegurada como direito.
Alternativa D.
Por que as outras alternativas estão erradas
- AAponta a essencialidade da literatura, mas não explicita a relação entre satisfazer essa necessidade e reconhecer um direito.
- BDestaca a presença da literatura em diferentes indivíduos, sem estabelecer por que seu acesso constitui um direito.
- CIndica a universalidade histórica da literatura, mas não apresenta a satisfação da necessidade como fundamento do direito.
Assunto: Tema, ideia central e informações explícitas.
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Fonte: EEAR 2018 · CFS 1. Prova oficial ↗