Questão B03 da 2ª fase da FUVEST 2025
Pacientes com hemofilia B não produzem o fator IX de coagulação devido a uma mutação no gene que codifica esse fator localizado no cromossomo X. O tratamento mais antigo é a reposição semanal da proteína via corrente sanguínea. Atualmente, há duas opções para o tratamento da hemofilia B: o transplante de fígado, que é o órgão que produz o fator IX, ou a terapia gênica. Para que haja indicação do transplante de fígado, o paciente deve apresentar quadro de insuficiência hepática terminal. Os pacientes hemofílicos com insuficiência hepática que foram submetidos ao transplante foram curados das duas doenças. Em 2022, empresas de biotecnologia desenvolveram produtos que levam uma cópia do gene do fator IX diretamente ao fígado dos pacientes com hemofilia B. Uma cópia do gene do fator IX sem a mutação é encapsulado em vírus que entram especificamente nas células hepáticas, fazendo com que a pessoa passe a produzir o fator IX.
A genealogia ao lado representa uma família em que ocorre hemofilia B.

a) A mulher III.3 está grávida do homem III.4. Já se sabe que o bebê é um menino. Qual é a probabilidade de esse bebê nascer com hemofilia B?
b) Considere que o homem I.1 recebeu transplante de fígado antes de II.2 ter sido concebida e que ele não apresenta mais os sintomas da hemofilia B. Nesse caso, qual será a probabilidade de o filho menino do casal III.3 x III.4 nascer com hemofilia B? Justifique a sua resposta.
c) Explique como os vírus carregando uma cópia do gene do fator IX podem fazer com que a pessoa passe a produzir o fator IX.
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a) A hemofilia B é recessiva e ligada ao X. III.3 é portadora (X^HX^h) e III.4 não tem o alelo mutante (X^HY). O menino recebe o Y do pai e um X da mãe, e a mãe transmite X^h com probabilidade \frac{1}{2}.
Como já sabemos que é menino, não entra o fator \frac{1}{2} do sexo. A probabilidade condicional é \frac{1}{2}.
Probabilidade de \frac{1}{2} (50%).
b) O transplante de fígado corrige apenas a produção do fator IX nas células do fígado do paciente. Isso é uma mudança somática: o genótipo das células germinativas de I.1 continua X^hY, porque o transplante não altera os gametas.
Assim, I.1 continua transmitindo X^h a todas as filhas, e II.2 continua sendo portadora. A herança de III.3 e a de seu filho não mudam. A probabilidade de o menino nascer com hemofilia B continua sendo \frac{1}{2}.
Probabilidade de \frac{1}{2} (50%), pois o transplante não altera o genótipo dos gametas.
c) O vírus é usado como vetor. Ele infecta especificamente as células do fígado e injeta nelas o DNA com a cópia normal do gene do fator IX.
O gene normal é transcrito em RNA mensageiro. Esse RNA é traduzido nos ribossomos, produzindo a proteína fator IX funcional, que é secretada no sangue. Assim, mesmo com o gene mutante presente, a célula passa a produzir o fator que faltava.
O vírus leva o gene normal às células hepáticas, que o transcrevem e traduzem, produzindo o fator IX.
Assuntos: herança ligada ao X, terapia gênica, probabilidade em genealogias.
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