Questão B03 da 2ª fase da FUVEST 2023
“Um homem que vive com HIV desde a década de 1980 foi curado. Este é apenas o quarto caso do tipo no mundo. Ele recebeu um transplante de medula óssea para tratar uma leucemia que desenvolveu aos 63 anos, e o doador era naturalmente resistente ao vírus. A equipe médica responsável pelo seu tratamento decidiu que ele precisava do transplante para substituir sua medula óssea doente por células normais. O HIV entra nos glóbulos brancos do nosso corpo usando uma porta microscópica - uma proteína chamada CCR5. No entanto, algumas pessoas, incluindo o doador, têm mutações no gene CCR5 que fecham essa porta e impedem a entrada do vírus.”
Disponível em https://www.bbc.com/portuguese/geral-62324526. Adaptado.
O HIV liga-se ao receptor CCR5 durante o processo de infecção dos glóbulos brancos. A mutação delta 32 do CCR5 inviabiliza sua inserção na membrana plasmática impedindo a entrada do HIV conforme ilustrado a seguir:

Disponível em https://doi.org/10.1007/s40011-021-01237-y/. Adaptado.
a) Cite outra infecção sexualmente transmissível, além da AIDS.
b) Um laboratório de análises clínicas possui amostras de sangue e mucosa bucal colhidas do paciente antes do transplante e após 1 ano do procedimento. Qual dessas 4 amostras é a indicada para confirmar a presença da mutação no gene CCR5 no paciente curado? Justifique sua resposta.
c) Considerando a estrutura dos genes eucarióticos, a deleção de 32 pares de bases aconteceu em que parte do gene CCR5? Justifique sua resposta.
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Resolução comentada
Resolução comentada
a) Há várias ISTs além da AIDS. Um exemplo é a sífilis, causada pela bactéria Treponema pallidum. Também valem gonorreia, clamídia, herpes genital, hepatite B e HPV (condiloma).\n\nResposta: sífilis (outras possíveis: gonorreia, HPV, herpes genital).\n\nb) O paciente recebeu medula óssea de um doador com a mutação. A medula produz as células do sangue, então o sangue de depois do transplante tem as células do doador, que carregam a mutação delta 32. Já as células da mucosa bucal continuam sendo do próprio paciente e não vêm da medula, por isso mantêm o genótipo original, sem a mutação. O sangue de antes do transplante também tem o genótipo original do paciente.\n\nPortanto, a amostra indicada para confirmar a mutação é o sangue colhido 1 ano após o transplante.\n\nResposta: sangue colhido após 1 ano do transplante, pois seus glóbulos brancos derivam da medula do doador, que tem a mutação. Mucosa bucal e sangue pré-transplante têm o genótipo original do paciente.\n\nc) Nos genes eucarióticos há éxons, que são a parte codificante e permanecem no RNA mensageiro maduro, e íntrons, que são removidos no processamento. A figura mostra que a deleção alterou a sequência de trincas, causando mudança do quadro de leitura (aminoácidos diferentes após o 4º) e um códon de parada precoce. Os 32 pb removidos não são múltiplo de 3, o que explica a mudança do quadro. Só a deleção em região traduzida altera a sequência de aminoácidos da proteína. Se fosse em íntron, a proteína não seria afetada. Logo, a deleção ocorreu em um éxon.\n\nResposta: em um éxon (região codificante), pois alterou os aminoácidos e gerou um códon de parada.
Assuntos: genética molecular, estrutura gênica, ists.
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