Questão 17 (2º dia) da 2ª fase da FUVEST 2011
As sensações provocadas nos passageiros, dentro de um carrinho, durante o trajeto em uma montanha-russa, podem ser associadas a determinadas transformações históricas, como se observa no texto:
A primeira é a da ascensão contínua, metódica e persistente. Essa fase pode representar o período que vai, mais ou menos, do século XVI até meados do século XIX. A segunda é a fase em que, num repente, nos precipitamos numa queda vertiginosa, perdendo as referências do espaço, das circunstâncias que nos cercam e até o controle das faculdades conscientes. Isso aconteceu por volta de 1870. Nunca é demais lembrar que esse foi o momento no qual surgiram os parques de diversões e sua mais espetacular atração, a montanha-russa, é claro. A terceira fase, na nossa imagem da montanha-russa, é a do “loop”, a síncope final e definitiva, o clímax da aceleração precipitada. A escala das mudanças desencadeadas, a partir desse momento, é de uma tal magnitude que faz os dois momentos anteriores parecerem projeções em câmara lenta.

Desprezando a resistência do ar e as forças de atrito, calcule
- o módulo da aceleração tangencial do carrinho no ponto 2.
- a velocidade escalar do carrinho no ponto 3, dentro do loop.
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Resolução comentada
a) O texto compara a história do mundo moderno a uma montanha-russa, e podemos explicar duas fases.
Fase 1 (séc. XVI até meados do séc. XIX): é a "ascensão contínua e metódica". Corresponde à consolidação do mundo moderno e capitalista, com as grandes navegações, a expansão colonial e o mercantilismo. Inclui também a Revolução Científica, o Iluminismo e a Revolução Industrial, ou seja, um progresso gradual e acumulativo da ciência, da técnica e da economia europeia.
Fase 2 (por volta de 1870): é a "queda vertiginosa". Corresponde à Segunda Revolução Industrial, com eletricidade, aço, petróleo, química, telégrafo, ferrovias e navios a vapor. Vêm com ela a urbanização acelerada, a produção em massa e o imperialismo neocolonial. Tudo isso encurtou distâncias e acelerou o tempo, desorientando as pessoas, que perderam suas referências tradicionais. Os parques de diversões e a montanha-russa nascem nesse contexto de aceleração.
Resposta: fase 1 = ascensão da modernidade (expansão marítima, ciência, Revolução Industrial); fase 2 = aceleração da Segunda Revolução Industrial por volta de 1870, com imperialismo e urbanização.
b) Sem atrito, só o peso realiza trabalho. Vamos aos dois cálculos.
1. Aceleração tangencial no ponto 2.
O trecho é retilíneo, com desnível de 10 m e deslocamento horizontal de 3 m. Então a hipotenusa é:
O ângulo \theta da rampa com a horizontal tem:
A aceleração tangencial é a componente de g ao longo da rampa:
2. Velocidade no ponto 3.
O ponto 1 está a 20 m de altura. O ponto 3 está no topo do loop, a 2R=16 m de altura. Pela conservação da energia mecânica, partindo do repouso:
Verificação: para o carrinho não se soltar no topo, é preciso v^2\ge gR=80. Aqui v^2=80, exatamente o limite. Portanto o carrinho passa pelo ponto 3 com a normal nula.
Respostas: a_t\approx 9{,}6\ \text{m/s}^2 e v=4\sqrt5\approx 8{,}9\ \text{m/s}.
Assuntos: conservação da energia mecânica, plano inclinado, segunda revolução industrial.
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