Redação nota 1000 do Enem 2011: Manuela Marques Batista

Tema: Viver em rede no século XXI: os limites entre o público e o privado · Rio de Janeiro (RJ)

Quinze minutos de fama (ou a eternidade)

Estar em todos os lugares sem sair de casa, acesso rápido às informações e contato com as pessoas em frações de segundo: são algumas das maravilhas do mundo moderno. Porém é preciso cuidado ao lidar com tamanha facilidade de interação. Falta de privacidade, demasiada exposição individual e até mesmo a perda de personalidade, são fatores que andam na contra-mão da progressiva internet.

Fazer parte de uma rede social hoje é, além de ferramenta de comunicação, possibilidade de usar a web à seu favor, personalizando-a e adequando-a as suas necessidades e preferências. Não raro acontecem exageros na hora de expor detalhes sobre a vida, o que representa sério risco, visto que a internet é um meio público, de fácil acesso e manipulação de dados. Sem autorização, é frequente o número de meninas que se vê em fotos de sites pornográficos.

Ainda no contexto de exposição individual, há outra vertente: a falta de privacidade. Embora todos queiram seus “quinze minutos de fama”, esse tempo se torna incontrolável quando há minúcias sobre a vida pessoal disposta na rede. Passivo de críticas, preconceito e do tão famoso “bullyng”, está quem perde o controle de suas informações, além de o problema extravasar da vida digital para a vida real.

Para os jovens, a maior dificuldade parece ser discernir o real do literário. Ainda em formação moral, muitos deles assimilam as piadas e idéias alheias como suas, sem prévia crítica. Acontecem assim, sem que haja controle, disseminações de brincadeiras de mau gosto, de padrões comportamentais prejudiciais, muitas vezes, à vida e sociedade e à construção de sua personalidade.

Diante das inúmeras discussões comportamentais que a nova era digital propicia, é preciso repensar e nortear as ações individuais para que se mantenha agradável e saudável a vivência coletiva. Órgãos públicos, agentes de educação e família devem trabalhar na disseminação de informações sobre a vida online. Nesse sentido, será possível percebê-la como qualquer outro ambiente social, que implica respeito e reconhecimento de limites pessoais.

Texto como o INEP publicou, com os desvios do participante.

Ver como o INEP publicou Redação de Manuela Marques Batista na cartilha do INEP
Comentário da banca

A participante demonstra ter compreendido a proposta da redação, desenvolvendo o tema dentro dos limites estruturais do texto dissertativo-argumentativo. A redação organiza-se em cinco parágrafos. Naintrodução (primeiro parágrafo), situa-se o tema: valoriza-se o progresso da internet, apontando suas vantagens, entre as quais o acesso rápido às informações, mas alerta-se para alguns problemas, como a exposição individual. O texto se desenvolvenos segundo, terceiro e quarto parágrafos: no segundo, assinalam-se os benefícios do uso da rede social como ferramenta de comunicação, advertindo para os seus riscos devido à falta de privacidade das informações que estão em rede; no terceiro parágrafo, relatam-se algumas consequências graves quando se expõe a privacidade na internet; e, no quarto, destaca-se o perigo para a formação da personalidade do jovem, para a falta de discernimento que pode ocorrer entre o real e o virtual, levando-o a atitudes prejudiciais à sociedade. Na conclusão (último parágrafo), chama-se a atenção para a necessidade de se repensar as ações individuais e coletivas na internet, apresentando, ao final, uma proposta de intervenção.

Atesede que a rede social é uma importante ferramenta de comunicação, mas deve ser utilizada com cuidado, é justificada pela participante com argumentos positivos(facilidade de interação, possibilidade de estar em todos os lugares, acesso rápido à informação e às pessoas) e negativos(facilidade de manipulação de dados e a falta de privacidade e de controle das informações).

No último parágrafo, identifica-se a proposta de intervenção para o problema abordado, respeitandoos direitos humanos: os órgãos públicos, os agentes de educação e a família devem trabalhar em conjunto para que a divulgação de informações via on-line seja feita através de um ambiente de respeito às pessoas.

Pode-se afirmar que a redação apresenta encadeamento lógico das ideias e demonstra que a participante soube selecionar, relacionar, organizar argumentos em defesa de seu ponto de vista: o tema é desenvolvido de forma coerente, os argumentos selecionados são consistentes e justificam a tese apresentada, a conclusão retoma o que foi exposto ao longo dos parágrafos anteriores e a proposta de intervenção social é adequada à tese defendida.

Do ponto de vista da estruturação textual, observa-se que a redação apresenta inúmeros recursos coesivos que garantem continuidade ao texto, revelando que a participante demonstra domínio dos mecanismos linguísticos necessários à construção de uma dissertação-argumentativa. Identifica-se a utilização de pronomes e de termos ou expressões de base nominal para retomar referentes do contexto anterior (“algumas das maravilhas do mundo moderno”, “as suas necessidades e preferências”, “todos queiram seus ‘quinze minutos de fama’”, “esse tempo se torna”, “muitos deles assimilam”, “Nesse sentido”).

A redação recorre a vários conectores responsáveis por expressar relações lógicas e promover o encadeamento textual (exemplos: “Porém é preciso cuidado ao lidar com tamanha facilidade de interação.”; “além de ferramenta de comunicação”; “visto que a internet é um meio público”; “Ainda no contexto de exposição individual”; “Diante das inúmeras discussões”).

Fonte: INEP, A redação no Enem 2012: guia do participante, página 44 do PDF. Texto transcrito do PDF, com a formatação do site; o original está em “Ver como o INEP publicou”.